Uma ode à mudança

Apesar de vivermos numa era frenética, onde os humanos invejam a velocidade das máquinas em prol de um futuro que consome o presente, devemos falar sobre a importância da responsabilidade social, da sustentabilidade e do consumo ético. Podemos comprar de forma cada vez mais rápida e barata, desprezando séculos de sabedoria e tradição, mas eu acredito que as coisas não precisam de ser assim. A mudança está nas pequenas escolhas que fazemos diariamente. Os pessimistas dirão que não é possível, tecendo um sem fim de calamidades, mas um futuro melhor não é uma questão de ser ou não optimista. É algo que todos desejamos e pelo qual devemos lutar. Essa foi a razão porque criei a Nevoazul, um convite ao equilíbrio e uma ode à mudança, uma revista com 120 páginas onde o minimalismo, o consumismo e a sustentabilidade se aliam à cultura, à arte e à literatura. ´


O que podes encontrar dentro da Nevoazul nº1





Simplicidade e Modernidade em Jacques Tati

A tecnologia está presente em quase todas as tarefas que desempenhamos no nosso quotidiano. Fazemos sumo de laranja no espremedor elétrico, aquecemos o leite no micro-ondas, trabalhamos através de computadores e seguimos o percurso do autocarro através do telemóvel. Deslumbrados por estas fantasias da sociedade moderna, deixamo-nos frequentemente enganar, acreditando que a tecnologia é a solução inquestionável para o futuro. Uma velha falácia que nos faz comprar mais, preservar menos e substituir as relações humanas por máquinas num piscar de olhos. A crítica à modernidade tecnológica é frequentemente retratada na sétima arte. Charlie Chaplin no filme Tempos Modernos, Jacques Tati no filme Mon Oncle. É sobre o segundo que nos debruçamos. O que nos encantou? A suavidade das cores, a rigidez da arquitetura e duas sociedades antagónicas numa só cidade – Paris.




Através do Vidro Azul

Ecrãs de vidro iluminam os nossos dias e noites. Somos espectadores e atores. Num segundo estamos no lado de fora do ecrã. A ver, a aprender, a consumir informação. Mas, de repente, a moeda vira, os lados invertem-se. Transpomos o vidro e criamos, partilhamos, damos aquilo que temos e desejamos que alguém encontre valor no que transmitimos. Aileen Xu deixa-me equilibrar entre os dois lados do ecrã de vidro. Um jogo de dar e receber, onde ela nunca fica a perder. Inspira e deixa-se inspirar. Aprende e ensina. A plataforma de excelência para partilhar o seu conhecimento com o mundo é o Youtube, onde podemos ver o seu sorriso honesto, ouvir a sua voz suave e acreditar que há um lugar sereno entre as montanhas de distração e egocentrismo do mundo online.




Kintsugi - A Beleza Imperfeita de um Prato Partido

Um dos maiores desgostos da vida quotidiana é quando um prato nos escapa por entre os dedos. De repente, há cacos espalhados pelo chão e a cozinha transforma-se num campo de minas e armadilhas para pés descalços. Culpamos as mãos molhadas, o prato escorregadio e a pressa, mas isso não muda a situação. O prato perdeu a sua função, o seu objetivo, e nada o fará ficar como antes. Mas enquanto lamentamos o nosso erro e ditamos uma rápida sentença de morte à loiça partida, no Japão continua a celebrar-se a arte ancestral do Kintsugi, uma técnica de restauro que utiliza pó de ouro para transformar uma peça partida num objecto ainda mais precioso do que era anteriormente.





Caderno Afegão

No livro "Caderno Afegão", a jornalista Alexandra Lucas Coelho retrata um país onde a beleza, tal como o medo, está sempre à espreita. Na Nevoazul publicámos um excerto referente ao dia 22 Junho, passado em Cabul. "Uma história que resulta de uns pais que abriram a casa ao mundo. Uma casa tão pobre que estrela ovos numa bilha de gás, mas tão rica que lê os filósofos sufis e Wittgenstein. E quase toda a história se vai contar no claro­ escuro de cortinas contra o sol e raparigas que riem, dançam, ouvem música, mostram livros, vêem os deveres dos irmãos, abraçam o pai que está doente e a mãe que chega da escola, põem batom, escovam o cabelo, recebem rapazes com quem vão sair."




Katte Geneta - Ondas, Montanhas, Horizontes

O trabalho da artista nova ­iorquina Katte Geneta é de uma simplicidade complexa cuja elegância é tão calma quanto poética. O espaço e o tempo desvanecem­se nas suas pinturas e revelam lugares distantes que parecem miragens, como uma memória longínqua que vagueia na nossa mente. Com uma palete de cores limitada e formas que apelam à quietude da alma, a sua arte é inspirada pela natureza e pelos seus elementos. As suas raízes filipinas são representadas no seu trabalho através da utilização de materiais vulcânicos que simbolizam a beleza e a fragilidade da natureza.




Snapchat - A rede social da efemeridade

Pergunto-me se o desejo pelo carpe diem foi o que levou Evan Spiegel a criar o Snapchat, uma aplicação onde a efemeridade é rainha e somos convidados a partilhar fotografias e vídeos, sem nos preocuparmos com o amanhã. Livre da pressão social existente no Instagram e no Facebook, onde a nossa privacidade está constantemente em risco, o Snapchat surge como uma lufada de ar fresco. O que se partilha nesta rede social só pode durar até dez segundos e tem um prazo de 24 horas até desaparecer. Uma ode ao direito do esquecimento, à honestidade e à espontaneidade.





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