Por um futuro melhor

Os dias vêm uns atrás dos outros, como as cerejas que comi ao longo da amena primavera que alegrou as minhas horas de trabalho. As manhãs depressa se tornavam tarde e a noite não era mais do que a antecipação da madrugada. Entretida e fascinada com o que me rodeava, decorei as paredes brancas da minha casa e fiz delas mural para a minha inspiração. As montanhas sem fim, o design invejado, a escrita de uma velha lenda. Símbolos de um ideal de qualidade a alcançar. 
Os discos giravam no gira-discos sem nunca me aborrecer por ouvir sempre as mesmas cantigas. Excepto à noite, nas horas do descanso, onde a falsa luminosidade dos computadores dava lugar a conversas sussurradas, livros da Patti Smith e filmes do Godard.
Houve dias em que acordei às quatro da manhã para filmar o reflexo da lua cheia na água e para estrear a areia da praia antes do início do verão. Houve noites em que escrevi até às duas da manhã, quando os olhos já pediam descanso mas o entusiasmo exigia trabalho.
As ideias desenvolviam-se, os nomes mudavam, o conteúdo nascia. O minimalismo perdeu a sua pureza e misturou-se com a arte. O consumo cedeu à literatura, a sustentabilidade à cultura e o desejo de criar um futuro melhor que o presente nasceu.
Cedi assim ao idealismo e rendi-me às artes. Sujei as mãos de tinta azul e fiz gravuras do Stonehenge. Escrevi sobre técnicas de restauro ancestrais, elogiei a impermanência e entrevistei aqueles que encontraram equilíbrio no minimalismo e na simplicidade.
Apesar de vivemos numa era onde a velocidade, a abundância e o desperdício dominam, eu acredito que chegou a hora de dar uma nova oportunidade à eficiência, à criatividade e à qualidade.
Este foi o início da NEVOAZUL - uma revista sobre menos e mais, onde o consumismo, o minimalismo e a sustentabilidade se cruzam com a cultura, a literatura e a arte.


Numa cultura motivada pelo consumismo e pela memória, o primeiro número da NEVOAZUL reflete sobre as vantagens de aceitar a impermanência como catalisador de uma vida mais simples e significativa. Nas suas páginas vão poder descobrir como o algodão orgânico melhora a vida dos agricultores, as razões porque o Einstein era um minimalista,  a arte ancestral do Kintsugi, pinturas feitas com materiais vulcânicos que simbolizam a beleza e a fragilidade da natureza, um artigo sobre uma rede social onde tudo  o que partilhamos expira em 24 horas, a história da youtuber Aileen Xu responsável pelo canal Lavendaire e muitos mais artigos, entrevistas e ensaios.







Com esta revista eu quero abrir um debate sobre como a responsabilidade social, a sustentabilidade e o consumo ético podem fazer a diferença no nosso futuro. Espero que esta revista desperte o teu interesse tanto como tem despertado a minha vontade de ser criativa, de escrever e de mudar o mundo que me rodeia por uma versão mais simples mas significativa. 

Prometo que cada uma das páginas da NEVOAZUL vai ser um convite a um quotidiano com mais conversas e menos compras, mais passeios e menos ansiedade, mais conhecimento e menos informação. O meu maior desejo é que esta revista seja um porto de abrigo para todos aqueles que aspiram a uma vida mais simples mas significativa.

Obrigada!




3 comentários:

  1. Eu quero a versão digital da revista pois o frete para o Brasil é caro.Como posso adquirir?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Muito obrigada pelo interesse. Pode adquirir a versão digital da revista nesta página: igg.me/at/nevoazul
      É só seleccionar a segunda opção na coluna da direita.
      Qualquer dúvida é só enviar um email para nevoazul.mag@gmail.com ou um comentário por aqui.

      Agradeço desde já a colaboração :)

      Eliminar
  2. Olá Inês, terá a versão em Português?

    ResponderEliminar