Por um futuro melhor

Os dias vêm uns atrás dos outros, como as cerejas que comi ao longo da amena primavera que alegrou as minhas horas de trabalho. As manhãs depressa se tornavam tarde e a noite não era mais do que a antecipação da madrugada. Entretida e fascinada com o que me rodeava, decorei as paredes brancas da minha casa e fiz delas mural para a minha inspiração. As montanhas sem fim, o design invejado, a escrita de uma velha lenda. Símbolos de um ideal de qualidade a alcançar. 
Os discos giravam no gira-discos sem nunca me aborrecer por ouvir sempre as mesmas cantigas. Excepto à noite, nas horas do descanso, onde a falsa luminosidade dos computadores dava lugar a conversas sussurradas, livros da Patti Smith e filmes do Godard.
Houve dias em que acordei às quatro da manhã para filmar o reflexo da lua cheia na água e para estrear a areia da praia antes do início do verão. Houve noites em que escrevi até às duas da manhã, quando os olhos já pediam descanso mas o entusiasmo exigia trabalho.
As ideias desenvolviam-se, os nomes mudavam, o conteúdo nascia. O minimalismo perdeu a sua pureza e misturou-se com a arte. O consumo cedeu à literatura, a sustentabilidade à cultura e o desejo de criar um futuro melhor que o presente nasceu.
Cedi assim ao idealismo e rendi-me às artes. Sujei as mãos de tinta azul e fiz gravuras do Stonehenge. Escrevi sobre técnicas de restauro ancestrais, elogiei a impermanência e entrevistei aqueles que encontraram equilíbrio no minimalismo e na simplicidade.
Apesar de vivemos numa era onde a velocidade, a abundância e o desperdício dominam, eu acredito que chegou a hora de dar uma nova oportunidade à eficiência, à criatividade e à qualidade.
Este foi o início da NEVOAZUL - uma revista sobre menos e mais, onde o consumismo, o minimalismo e a sustentabilidade se cruzam com a cultura, a literatura e a arte.
Com esta revista eu quero abrir um debate sobre como a responsabilidade social, a sustentabilidade e o consumo ético podem fazer a diferença no nosso futuro. Espero que esta revista desperte o teu interesse tanto como tem despertado a minha vontade de ser criativa, de escrever e de mudar o mundo que me rodeia por uma versão mais simples mas significativa.