Diário de primavera

Abril foi o primeiro mês. Os primeiros trinta dias dedicados a fazer aquilo que mais gosto. Deixei a minha velha rotina, mudei de hábitos e comecei a minha revista, a NEVOAZUL. Entretanto eu li, ouvi música e explorei o meu lado mais criativo. Acho que nunca trabalhei tanto. Houve dias em que acordei às cinco da manhã para ir tirar fotografias, escrever poesia, fazer entrevistas e reportagens. Passei noites a ler Patti Smith, a ouvir discos e a folhear revistas.
Este post é um pequeno diário desta primavera. Uma estação em que as horas passaram com serenidade e o trabalho foi tão apreciado como o lazer.

Música

Começar a ouvir um novo artista é algo raro para mim. Sou uma pessoa de hábitos, repetições e amores constantes. Mas este mês descobri o Deru e soube quase instantaneamente que ele ia fazer parte da minha restrita biblioteca musical. Deru é um produtor de música electrónica também conhecido como Benjamin Wynn que explora novas sonoridades baseadas em acordes clássicos. As suas músicas têm uma espécie de beleza nostálgica que preenche discretamente o espaço envolvente sem nunca incomodar. Tenho ouvido sobretudo o álbum 1979, uma cápsula do tempo, uma meditação sobre nostalgia. De acordo com o artista, a memória é uma das nossas maiores dádivas. Ela dá-nos acesso ao tempo, à identidade, aos sonhos e o álbum 1979 é uma celebração disso.

Artes

No início de Abril tive oportunidade de experimentar fazer gravura, uma técnica onde se consegue obter uma imagem através de um processo de impressão artesanal. Apesar de usualmente se utilizar uma chapa para fazer o desenho, nós usamos o interior de pacotes de leite para desenhar. Depois do desenho estar terminado faz-se um leve corte sobre o desenho e preenche-se a superfície com tinta. Coloca-se depois na prensa para transformar a imagem numa gravura.


Leituras

Ao longo deste mês li o livro Wabi Sabi - The japanese art of impermanence. Um pequeno livro que me permitiu compreender melhor o significado de efemeridade, imperfeição e transição. Conceitos enraizados na cultura japonesa que explicam como os prazeres da vida estão associados à aceitação da brevidade da vida e à apreciação das pequenas coisas que nos fazem felizes. 



Sítios

A praia de Leça da Palmeira ao amanhecer. A rota do chá onde descansei depois de um dia de trabalho. As casas históricas onde outrora a nobreza passeou. O atelier de desenho onde dormi. As paisagens que passam a correr ao meu lado cada vez que regresso a casa.