O vagaroso caminho para a simplicidade

Ontem
eu comprei
algo novo

mas

contrariamente 
ao que eu 
pensei

os

remorsos
não vieram
incluídos.

Ainda bem.

Ninguém gosta
de chorar 
sobre
leite

d
e
r
r
a
m
a
d
o


Nunca deixei os meus arrependimentos ou dúvidas repousarem muito tempo na minha mente. Eles vêm, eu aceito as minhas escolhas e deixo-os  vaguearem por outros sítios. É um hábito que tento cultivar desde que me lembro e que me dá alguma paz de espírito. Mas naqueles dias cinzentos em que as nossas expectativas ficam aquém da realidade só há uma coisa a fazer. Dar o nosso melhor. 

O caminho para uma vida mais simples está cheio de objectivos difíceis de alcançar. Eles dizem que ser minimalista é ter só o essencial, que as experiências são mais significativas do que as coisas e que tudo o que adquirirmos deve estar de acordo com os valores que defendemos. Estes valores são louváveis e acredito que o mundo seria um lugar maravilhoso se nos guiássemos por eles, mas a sua aplicação prática e diária não é fácil.

Eu considero-me uma minimalista mas tenho coisas em minha casa que não são essenciais, ainda há roupa da Zara e da Primark no meu armário e ainda gosto de revelar fotografias e ler livros em papel. Se passasse os meus dias a comparar-me com verdadeiros minimalistas possivelmente morreria de vergonha. A pureza do estilo de vida deles faz o meu minimalismo parecer uma farsa, mas não estou preocupada nem arrependida.

O minimalismo é uma viagem vagarosa onde devemos apreciar o caminho e sentir que as decisões de amanhã vão ser melhores do que as que fizemos ontem. O meu estilo de vida pode ainda não ser nenhum exemplo a seguir mas a minha consciência não poderia estar mais tranquila. A jornada vai ser longa mas estou a gostar demasiado da viagem para a apressar. 


12 comentários:

  1. Muito bom Inês. às vezes também sinto que só falo da boca para fora. Mas é mesmo uma bela e lenta viagem. Aprendo todos os dias qualquer coisa nova.Isso também é bom.
    beijinho

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    1. Obrigada pelo comentário Maria! É mesmo importante apreciar o percurso e ir aprendendo.
      Beijinhos

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  2. adorei o texto e muitas vezes me pego pensando sobre isso, mas acho que quando diz "ser minimalista é ter só o essencial" eu entendo que o essencial pode conter uma coleção diferente de coisas para cada pessoa, para algumas um quadro é essencial, para outras é totalmente irrelevante. O mesmo podemos dizer dos livros, cds, ou coisas virtuais como informação.
    Talvez o essencial seja totalmente pessoas e seja necessária uma autorreflexão no sentindo de entender se na minha vida existe excesso ou se já cheguei no mínimo. Entendo que o mínimo é aquilo que atenda a todas as minhas necessidades e nada mais.
    Ainda estou bem longe desse ponto, sinto um grande volume de coisas e informação que carrego comigo e não preciso. Mas continuo nessa viagem a caminhar de forma muito devagar e sem me comparar a ninguém.

    Parabéns pelo belo texto.

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    1. Obrigada pelo comentário Hugo! Também concordo contigo sobre a definição de essencial ser algo volátil que varia de pessoa para pessoa, de momento para momento. Aquilo que é importante e fundamental para nós vai mudando à medida que nós também vamos evoluindo e crescendo. Eu adoro revistas com conteúdo interessante e livros de autores estrangeiros e sinto que isso torna a minha vida mais significativa mas acredito que há outras pessoas que se sentem assim com a música ou com certos objectos como jóias. O minimalismo só é genuíno quando é aplicado a quem somos e ao nosso estilo de vida.
      Espero que continues a apreciar a tua viagem sem pensar demasiado no destino.

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  3. O que importa é o caminho, não é?
    Parece-me que o "verdadeiro minimalismo" não existe. Existem versões de minimalismo, tão diversas e distintas quanto as pessoas que seguem essa tendência.
    O que importa é o que nos vai cá dentro e o motivo pelo qual decidimos minimizar: para viver mais e para ser mais feliz, é o meu motivo.
    Obrigada por este artigo, Inês.

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    1. Sim! O caminho é a parte boa e divertida de sermos minimalistas. É dar prioridade ao que é bom e importante para nós e criar espaço para o que desejamos fazer. A definição de minimalismo costuma ser demasiado crua na minha opinião. Para mim o importante é o equilíbrio para vivermos melhor.
      Obrigada pelo comentário Mafalda

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  4. Olá Inês, tenho que concordar contigo a última frase que escreveste faz todo o sentido para mim.
    Obrigada pela partilha!

    Beijinhos*

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  5. Fizeste-me lembrar de uma música dos Deolinda que me toca o coração =)

    "Quem tenha pressa
    que vá andando
    esta viagem é uma vida.
    É uma vida
    e a minha urgência
    é gozar a vista e a companhia."

    Ninguém está à espera que sejas perfeita e se gostamos de te acompanhar é pelo teu percurso.

    Beijinhos* Sofia

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    1. Essa letra retrata na perfeição o meu texto :)
      Obrigada pela partilha e pelas palavras carinhosas. Eu estou a adorar partilhar o meu percurso aqui no blogue.

      Beijinhos*

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  6. Eu estava pensando sobre isso esses dias, mas acho que como toda ideologia, a seguir a risca é o que faz com que muitas pessoas não aceitem a ideia. Eu adoro o estilo minimalista, sempre leio sobre e procuro informações e tudo mais, mas acho que como todo movimento, o fanatismo faz com que muitas pessoas se afastem do conceito por medo de serem bombardeadas por não seguir o padrão ideal e sim o estilo adaptado ao seu cotidiano. Acho que quem cobra muito não entende movimentos e que qualquer evolução que dedicamos nosso tempo deve ser valorizada, seja consumir menos aos poucos, não comer nada animal em um dia especifico da semana e vários outros pequenos hábitos da vida.
    Adorei o texto
    :)

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    1. Eu tento sempre afastar-me desse fanatismo e da ideologia do minimalismo puro. Para mim ele é um óptimo conceito mas só funciona se eu continuar a ser eu própria :) Gostei muito do teu comentário, obrigada!

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