Ética

Compra menos
mas melhor

Não vejas preços
vê qualidade

Segue os teus valores
e sê selectivo


Consumismo ético, comércio justo, responsabilidade social e sustentabilidade. Palavras longas com significados complexos. 
Até há pouco tempo estas palavras funcionavam como sinónimos para mim e as suas definições não passavam de conceitos abstractos na minha cabeça. Tudo o que sabia era que simbolizavam o bem, quer fosse do ambiente, das pessoas ou dos productos. Enquanto essas palavras estivessem associadas às minhas compras ninguém me podia censurar, afinal, eu estava a salvar o mundo!
À medida que o meu interesse pela temática do consumismo ia aumentando, apercebi-me que estes termos mereciam mais da minha atenção e comecei a estudá-los. Percebi que apesar dos termos serem similares, eles referem-se a diferentes áreas de actuação e só depois de os conhecer verdadeiramente é que podia melhorar os meus hábitos de consumo.

Falar em ética e aplicá-la ao consumismo é dar prioridade aos valores que defendemos. Se somos contra a escravatura, a mão de obra infantil e os testes em animais isso implica deixar de comprar productos que apoiam esses acções e escolher marcas que suportam os seus trabalhadores e defendem os direitos dos animais. Comprar productos sustentáveis ou com o selo do comércio justo é uma forma de consumir éticamente com a segurança de que estamos a apoiar causas sociais e ambientais. Não é por acaso que esta certificação é considerada a grande vitória do consumismo ético, estimulando a produção de bens de qualidade e apoiando agricultores em países em desenvolvimento. O suporte dado aos productores é uma das principais razões porque o consumo justo pode ajudar a melhorar o estilo de vida de muitas pessoas. A riqueza mundial tem estado concentrada numa pequena parte da população e os agricultores responsáveis pela produção do algodão, açúcar ou cacau são muitas vezes prejudicados. As grandes corporações ficam com o lucro das vendas enquanto que a mão de obra vive em situações de extrema pobreza. O comércio justo garante que é oferecido um valor mínimo aos productores por aquilo que produziram mesmo quando os preços do mercado descem e os productos não são vendidos. Com este sistema, os agricultores são sempre pagos por aquilo que produzem, fazendo com que o dinheiro comece finalmente a circular fora do ciclo vicioso das grandes corporações capitalistas.

Para sabermos se uma corporação é digna do nosso apoio devemos analisar a responsabilidade social da empresa, isto é, se se preocupa com o bem-estar dos seus trabalhadores, com a sua influência na comunidade e com a preservação do meio ambiente. Isto é alcançado através da implementação de políticas de sustentabilidade que visam uma maior transparência sobre o modo de funcionamento da empresa.

Ao contrário do consumo ético positivo, o consumo negativo apela ao boicote de companhias e empresas com valores duvidosos. Organizações como a Campaign for Safe Cosmetics (CSC) têm alertado sobre diversas situações de risco e já conseguiram mudar a conduta de várias empresas. Uma das suas últimas campanhas foi contra a marca Johnson & Johnson devido à utilização de químicos nos champôs para crianças. A marca Nestlé também foi obrigada a mudar a sua forma de actuação depois da Greenpeace descobrir que os responsáveis pelo óleo de palma usado nos seus produtos estavam a contribuir para a deflorestação da Indonésia, a destruição dos ecosistemas e a extinção dos orangotangos. 
Anna Lappe, defensora da sustentabilidade alimentar, diz que cada vez que gastamos dinheiro estamos a submeter um voto no tipo de sociedade em que queremos viver. É por essa razão que é importante sermos consumidores conscientes. Fazer compras não é um passatempo capitalista, é uma escolha com consequências reais que tão depressa podem salvar o mundo como o condenar.

Desde que optei pelo estilo de vida minimalista tenho feito cada vez menos compras. Como passo mais a fazer o que realmente gosto, as compras ficam sempre para segundo plano e sinto-me cada vez mais feliz com aquilo que já tenho. Ainda assim o tempo quente está a chegar e sei que vou precisar de substituir algumas peças de roupa e umas sandálias que se estragaram o ano passado. Podia ir apenas à Primark ou a outra loja de fast fashion e comprar tudo o que precisava mas isso estaria contra os valores que defendo. Apoiar o comércio justo e o consumo ético não é  apenas uma decisão filantrópica é também uma forma de valorização pessoal. Escolher um producto de qualidade que adoramos e que vai durar vários anos é a melhor coisa que podemos fazer pelo nosso eu minimalista. Esse tipo de produtos e roupas podem ser difíceis de encontrar mas graças à internet é possível descobrir algumas marcas éticas, sustentáveis e amigas do ambiente com peças de qualidade que estão cheias de histórias para contar



A marca Everlane distingue-se pela sua transparência corporativa e pelo design simples, minimalista e intemporal dos seus productos. No site da marca é possível ver onde foi feito cada produto e o custo de cada material, desde o fecho até ao algodão. Uma das minhas coisas favoritas da Everlane é a sua pequena mas essencial selecção de produtos. Nada neste site parece depender de modas passageiras. 
Infelizmente a marca só está disponível nos EUA e no Canadá.




É quase impossível ficar indiferente à história desta marca depois de ler a sua missão. 100% dos productos da People Tree são provenientes do comércio justo, ou seja, quer estejas a comprar uma camisola, umas calças ou umas meias estás a ajudar o ambiente, famílias e comunidades que ajudaram a criar esse roupa. O site tem também uma secção chamado Meet the Maker onde podes ver vídeos sobre os vários artesãos responsáveis pela criação dos produtos da People Tree. 





A Glimpse auto-intitula-se como uma marca de moda humanitária contra o tráfico humano e o título não lhes podia ficar melhor. Apesar de serem uma marca pequena eles acreditam que podem mudar o mundo pouco a pouco e dar esperança àqueles que já quase perderam a fé na humanidade. A sua principal luta é contra o comércio sexual de mulheres na Índia, de que são vítimas cada vez mais mulheres todos os anos. O pior é que mesmo depois de terem sido "libertadas" estas mulheres são marginalizadas pelo seu passado e não lhes são dadas novas oportunidades. Para contrariar esta triste realidade a marca Glimpse dá educação e formação profissional a estas mulheres para poderem trabalhar na Glimpse onde lhes é garantido um ordenado, boas condições de trabalho e uma oportunidade para deixarem o passado para trás.