Espaços Vazios

Quando escolhemos o minimalismo como estilo de vida, os espaços vazios começam a aparecer.

Às vezes pergunto-me como é que deixei isto acontecer.

Eu sempre gostei de estar rodeada de roupas, objectos, coisas.

Bem, talvez isso não seja inteiramente verdade.

Acho que só depois de o dizer em voz alta é que me apercebi que estava a mentir a mim mesma.

A desarrumação sempre me confundiu e o caos aborrece-me.

O que eu realmente apreciava era a beleza dos objectos.

O azul suave de um vestido, a forma circular de um frasco de perfume, o desenho na capa de um livro.

Pequenos pormenores.

Mas se a minha felicidade estava nos detalhes, as minhas frustrações pertenciam às memórias.

A camisola que comprei por impulso.

O livro que odiei ler.

Os sapatos que magoaram os meus pés.

Oh!
Estas lembranças perturbaram os meus pensamentos

Ainda bem que tudo isto não passou de um pesadelo.

Assim que abri os olhos lembrei-me novamente do que tinha acontecido

As coisas tinham-se transformado em vazios.
A estante está meia cheia, ou meia vazia

Tal como o armário, as paredes e o copo de água.

Acho que há pouco deixei a nostalgia afectar-me. Mas, e agora?

O que acontece quando finalmente superámos o caos?

É um estranho sentimento. 

Quase que me faz ter vontade de dançar.

E o chão desocupado está a convidar-me.

Eu aceito.

Os meus pés varrem o chão em sintonia com a música que toca na minha cabeça.

Sinto-me leve.

Como se não existisse nada entre mim e quem eu quero ser.

Agora eu percebo porque decidi arrumar e livrar-me das coisas de que não gostava.

Eu não queria ter uma casa vazia.

Eu estava apenas a criar mais espaço para ser eu mesma.




Empty Spaces


When you choose minimalism as a way of life, blank spaces appear

Sometimes I ask myself how did I let this happens.

I always loved to be surrounded by clothes, objects, stuff.

Well, maybe that's not entirely true.

After I said it out loud I realized I was lying to myself.

Clutter confuses me. Chaos bores me.

What I really loved was the beauty

The colour blue in a dress, a perfume bottle, a drawn in a book cover.

Little singularities.

But if my happiness was in the details, my frustrations lived in the memories.

That sweater I brought by impulse.

The book I hated.

The shoes that hurt my feet.

Oh!

These memories disturbed my thoughts

I'm glad that it was just a little nightmare.

I open my eyes and I remember what had happen.

Things became empty spaces.

The bookcase is half-full or half-empty.

Just like the wardrobe, the walls and the glass of water.

I guess I was affected by nostalgia. But, what about now?

What happens when we finaly left the chaos behind?

It's a strange feeling. 

I almost feel like dancing.

And the empty floor is inviting me.

I accept.

My feet sweep the floor following the music that plays inside my mind.

I feel light.

Like there's nothing between who I am and who I want to be.

Now I know why I have decluttered.

I didn't want an empty house.

I was just making space to be who I am

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