Diário de Janeiro

January diary





Janeiro chegou em paz. O cansaço esgotante do final do ano deu lugar a dias mais calmos. Talvez possa parecer loucura o que vou dizer, mas o início de 2016 conseguiu trazer mais claridade à minha mente. É estranho quando isso tenha acontecido. Nunca considerei o início de um novo ano como um marco de mudança. Acho que após todos aqueles anos na escola, Setembro será sempre um indicador de começos mais forte do que Janeiro. Ainda assim, o mês que passou esteve repleto de mudanças, inspirações e decisões e uma delas foi a criação destes textos mensais onde partilho o que de melhor vi, li e fiz durante os últimos 31 dias.

January arrived in peace. Last year's exhausting December gave place to a serene January. It might seem crazy what I'm about to say, but I think the beginning of 2016 brought me more clarity. It's strange because I never saw the beginning of a new year as a turning point. After all those years in school, I started seeing September as a month of beginnings, not January. Still, the past month has been full of changes, inspirations and decisions to make and one of them was the creation of this monthly posts where I share the best things I saw, read and did over the past 31 days.

Minimal

Ainda não tinha passado uma semana do início do ano e eu já estava a mudar o design do Minimal. Desengane-se quem pensar que esta decisão veio de uma resolução de ano novo. A mudança do antiga design do Minimal para um mais simples foi das decisões mais espontâneas que já tomei. Há coisas que são difíceis de explicar mas senti que estava na altura de mudar a aparência do blogue. Eu até gostava de como ele estava. Apenas senti que queria mudar e, sem pensar muito sobre o assunto, foi exactamente isso que eu fiz. 
É curioso como uma decisão espontânea a favor da mudança consegue encher-nos de vontade em melhorar ainda mais tudo o que nos rodeia. Quando vi como o Minimal ficou com o novo design fiquei a pensar em todas as pequenas coisas que podia fazer para continuar a melhorá-lo.
Podia traduzir os textos para inglês - pensei. E se eu criasse uma secção dedicada aos arquivos do blogue para ser mais fácil encontrar os posts por temáticas - reflecti. Talvez fosse interessante ter um espaço apenas para os livros do projecto Partilhar depois de ler - ponderei.
No final, os meus pensamentos, reflexões e ponderações transformaram-se em decisões e, quase sem saber, transformei este espaço num sítio cada vez mais em sintonia com aquilo que defendo e acredito.

2016's first week hasn't yet ended and I was already changing Minimal's design. It wasn´t part of some well elaborated new year's eve resolution plan. Changing the old Minimal design for a simpler one was possible the most spontaneous decisions I ever made. Some things are hard to explain but I felt it was time for some change around here. I liked the way it was but I needed to change it and, without thinking much about it, I just did it.
It's curious how a spontaneous decision can fill us with such a great sense of willingness to improve everything that surround us. When I saw how the new design suited this blog I started thinking about all the little things I could do to improve it even more.
I could translate all the posts to English - I thought. What if I created an archive section on the blog - I reflected. Perhaps it would be interesting to have a space just for the Share after read project - I pondered.
In the end, my thoughts and reflections turned into decisions and, almost without knowing it, I turned this space into something that suited better my values and beliefs. 


Livros - Books

Ler é uma das minhas actividades preferidas. Adoro saber que tenho um livro à minha espera depois de um longo dia de trabalho. Quando se passa cerca de 8 horas por dia em frente do computador, o contacto com algo físico, material, é quase uma lufada de ar fresco. As tecnologias fizeram com que fosse incrivelmente fácil lermos, pagarmos as contas e falarmos com os amigos sem precisarmos de desviar os olhos de um ecrã. Mas ao lermos um livro em papel somos obrigados a sentir as páginas, o seu peso e até o quão perto estamos do fim. É um processo que nos dá uma certa consciência daquilo que já passou e do que ainda falta. Os meus dias de férias a seguir ao ano novo foram passados quase inteiramente a ler. Por norma não devoro livros mas tive a sorte de começar o meu 2016 a ler alguns dos melhores livros que já alguma vez li.
O primeiro livro que terminei em Janeiro foi o "In praise of slowness" do Carl Honoré. Já tinha lido alguns excertos na internet e algumas entrevistas com o autor mas a minha curiosidade não ficou por aí e em três dias li o livro inteiro. Tal como o próprio título indica, este é um livro sobre a importância de abrandarmos. Quer seja no trabalho, nas refeições ou na forma como nos relacionamos com as outras pessoas. Numa sociedade cada vez mais acelerada, este livro é uma ode a uma vida mais calma. 
Ainda com um certo sentimento de tranquilidade derivado deste livro, comecei a ler a obra de ficção "The Fun We've had" do autor Michael J. Seidlinger. Duas páginas depois de o ter começado eu sabia que tinha encontrado o meu novo livro preferido. Com uma escrita simples, um vocabulário invejável, um tema desconcertante e alguma poesia visual, este livro, e o seu autor, foram a melhor descoberta que podia ter feito. Todas as noites, durante uma parte do mês de Janeiro, eu lia três ou quatro páginas. A minha vontade de ler o livro apenas numa noite era grande mas o prazer de o apreciar com calma era maior. Por vezes ficava pressa numa frase e era capaz de a ler variadas vezes até perceber todos os sentidos e todas as emoções, não fosse este livro uma espécie de sonho repleto de amor, confusões e más interpretações . Talvez este seja um daqueles tipos de livros raros que nos deixa repletos de contradições. Queremos lê-lo de relance mas queremos absorver cada frase e dormir sobre o assunto. Desejamos falar sobre ele a toda a gente mas, ao mesmo tempo, queremos guardá-lo só para nós, como um segredo. 

Reading is one of my favorite activities. I love knowing that I have a book waiting for me after a long day at work. When we spend about eight hours a day looking at the computer, any contact with something physical, material, it'is almost like a breath of fresh air. The technologies have made it incredibly easy to read, pay the bills and talk with friends only by staring at a screen and typing. But when we read a book on paper we are bound to feel the pages, their weight and even how close we are to the end. It's a process that gives us a certain awareness of what has passed and what remains. I have spend the first days of the year mostly reading. Usually I don' t devour books but I was lucky enough to start my 2016 with some of the best books I have ever read.
The first book I finished in January was "In praise of slowness" by Carl Honoré. I had read some excerpts on the Internet and some interviews with the author, but my curiosity did not stop me and in three days I read the entire book. As the title implies, this is a book about the importance of slowing. Whether at work, at meals or in the way we relate to the others. In an increasingly accelerated society, this book is an ode to a more peaceful life.
My mind was still with a certain sense of tranquility when I began to read the work of fiction "The Fun We've Had" by the author Michael J. Seidlinger. After the two first pages I already knew I had found my new favorite book. With a simple writing, an enviable vocabulary and an amazing story, this book and his author were the best discovery I could have done. Every night, during a part of January, I read three or four pages. My desire to spend one night stand with this book was strong but the pleasure to enjoy it quietly was bigger. There were some nights when I couldn't stop reading the same sentences over and over. After all, this book is like a dream full of feelings, confusion and misinterpretation. Perhaps this is one of those rare books that leaves us with a hand full of contradictions. We want to read it at a glance but we want to absorb every sentence and think about it. We want to talk about it to everyone we know but, at the same time, we want to keep it to ourselves, as a secret.

Sítios - Places

Quando vivemos há algum tempo na mesma cidade é normal frequentarmos sempre os mesmos sítios e criarmos uma espécie de rotina com certas ruas e espaços. Felizmente tenho a sorte de viver numa cidade que não me deixa assentar e que me surpreende constantemente com um novo espaço, um recanto escondido ou um local desconhecido. Em Janeiro fui pela primeira vez à Pipa Velha, um dos cafés mais antigos do Porto. Aberto desde 1981, é de admirar que a minha curiosidade nunca me tenha levado lá, mas estou feliz por ter sido uma amiga minha a fazê-lo. Sair à noite nunca foi uma das minhas actividades preferidas. A música e o ambiente das discotecas não me agrada e acabo sempre por preferir o conforto de casa e das conversas ao barulho histérico de uma noite fora. Ainda assim encontrei o meu ponto de equilíbrio. Na Pipa Velha a música é agradável, as paredes têm história e as conversas fluem facilmente. É difícil sairmos de lá sem sentirmos uma certa nostalgia ao pensarmos em todas as ideias, diálogos e conversas que tantos outros já tiveram neste mesmo sítio, numa outra noite, às 2 da manhã.

When we live for a long time in the same city, it's normal to keep returning to the same spots and create a routine with certain streets and spaces. Fortunately I am lucky enought to live in a city that surprises me constantly with a new space, a hidden corner or an unknown location. In January, for the first time in my life, I went to Pipa Velha, one of the oldest cafes in Porto. Open since 1981, I wonder why my curiosity had never led me there, but I'm happy to have a great friend that doesn't mind to show me new places when my curiosity fails. Spending a night out has never been one of my favorite activities. The clubbing environment does not appeal to me and I always end up choosing the comfort of home to the hysterical noise of a night out. But, in Pipa Velha I have found the perfect balance. Every time I go there, the music is nice and conversations flow easily. All the walls are covered with pieces of history like old posters. Maybe that's why it's hard to get out of there without feeling nostalgic about all the ideas, dialogues and conversations that so many others have had in that same place, one other night, at 2 am.


Podcasts

"Porque tens umas orelhas tão grandes?" Para te ouvir melhor - Respondia o lobo na história do Capuchino Vermelho.
Contar e ouvir histórias é um ritual que tem estado quase sempre associado à infância. É quando somos crianças que gostamos de ouvir uma voz gentil a ler-nos o nosso livro preferido antes de adormecermos. Mas, à medida que o tempo passa, deixamos de querer ouvir histórias e passamos a entreter a nossa audição apenas com música. Enquanto uns se precipitavam a assinalar a morte da rádio, outros viam na internet o potencial para se voltar a contar histórias. Hoje estamos na época de ouro dos podcasts, que é o mesmo que dizer que estamos na segunda época dourada das novelas de rádio. O suporte mudou mas a essência é a mesma. A diferença está no conteúdo. Pela primeira vez, temos infindáveis programas de rádio sobre os mais variados temas e ouvi-los foi um novo hábito que surgiu este mês. Através da aplicação Podspace sigo sete podcasts. Um dos meus preferidos é o After the Jump. Apesar de já ter terminado, existem 100 episódios disponíveis com entrevistas a artistas, editores e designers. Um dos meus favoritos é com a Jess Lively e fala sobre a importância de criarmos algo com intenção e de acordo com os nossos valores. Outro dos podcasts que comecei a ouvir em Janeiro foi o dos The Minimalists. De forma divertida e despreocupada eles vão conversando sobre minimalismo e consumismo enquanto respondem a perguntas dos ouvintes e partilham as suas próprias experiências pessoais.
Quem diria que aos 26 anos ia gostar novamente de adormecer a ouvir histórias.


 "Oh Granny, what big ears you've got!" All the better to hear you with, my dear! - Reply the wolf in the Red Riding Hood story.
Story time is a ritual that has been often associated with childhood. When we are children  we love to hear our favorite book being told by some gentle voice just before we fall asleep. But as time goes by, we no longer want to hear stories. We prefer to entertain ourselfs only with music. But, while some started reporting the death of radio, others saw the internet potential to re-tell stories. Today we are in the golden age of podcasts, which is close to say that we are in the radio drama's second golden age. The medium has changed but the essence is the same. With endless content, we have, for the first time, access to hundreds of podcasts about all the topics we could imagine. I use Podspace to organize and listen my podcasts, my most recent habit. I think I'm now following about seven. One of my favorites is After the Jump, although there aren't any new episodes since last year, there are 100 episodes available where you can listen interviews with artists, editors and designers. I think one of the episodes I loved the most was with Jess Lively about the importance of creating something intencionaly. Another podcast I started listening in January was the one from The minimalists where they talk about minimalism and consumerism while they answer questions from the listeners and share their own personal experiences.
Who knew I would fall in love with audio stories again at age 26!



Rever o meu mês através daquilo que vi, ouvi e visitei fez me perceber que Janeiro começou bem. As minhas coisas preferidas deste mês podem não ter sido coisas mas isso tornou este início de 2016  ainda melhor. 

After reviewing this last month I realized my favorite things this January weren't things, and maybe that's why this was such a great start of 2016.

5 comentários:

  1. Olá Inês :)
    Gosto muito deste novo layout (pessoalmente, eu reduzia só um bocadinho o comprimento de linha, acho-a um bocadinho extensa para web).
    Este Janeiro também tenho tentado fazer coisas diferentes, almocei num restaurante onde nunca tinha ido, descobri músicas boas, estou a ler Murakami pela primeira vez, mudei de dieta. Enfim :)
    Ah, já vi mais vídeos da Lavendaire e gostei muito!

    Obrigada pelas partilhas :D
    beijinhos

    A.

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    Respostas
    1. Olá! :)
      Obrigada pela sugestão em relação ao layout do blogue! É curioso teres falado no Murakami, acabei de ler um livro dele ainda ontem :) Gosto imenso desse escritor, por norma não costumo ler muita ficção mas já li quase todos os livros dele. Estás a gostar? Qual estás a ler? :)
      A Lavendaire é óptima! Aliás, acho que até tenho um novo vídeo dela para ver esta noite :)

      Beijinhos

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