Aceitar. Mudar. Recomeçar



Início de Dezembro.

Leve, levemente. É fácil sentir-me assim quando é o meu mês preferido. As noites são calmas. A mente está tranquila. Os sorrisos oferecem-se facilmente. O amanhã parece promissor. 


Antes do Natal.

Os meus pensamentos correm rápido demais mas tudo à minha volta move-se lentamente. As horas demoram dias a passar e os minutos são feitos de incontáveis segundos. Entretanto a minha mente não pará de me pregar partidas e o cansaço está a deixar-me exausta e nervosa. A minha cidade preferida está a perder o charme, eu estou sozinha e faltam menos de 24 horas para a noite de Natal. 
Os dias não estão a ser fáceis. 

Natal.

Faltam poucas horas para o dia de Natal e eu estou num autocarro a caminho de casa. Os quilómetros passam devagar mas eu sinto-me cada vez mais calma. O ar mais frio, a cidade mais segura, a família mais perto. Em segundos a minha mente fica limpa e o cansaço desaparece. O Natal pode finalmente começar.


Final de Dezembro.

Leve, levemente. É fácil sentir-me assim quando é o meu mês preferido. As noites são calmas. A mente está tranquila. Os sorrisos oferecem-se facilmente. O amanhã parece promissor. 

*

O mês de Dezembro foi o melhor e o pior, a calma e a tempestade. Mas em breve este mês vai terminar, e com ele despedimo-nos de mais um ano. Cada vez que o dia 31 de Dezembro se aproxima dos nossos calendários começamos a pensar em todas as resoluções a que nos propusemos na última passagem de ano. Revemos os últimos doze meses na nossa cabeça e agrupamos numa balança invisível o que foi bom, mau e o que vai ter de constar na lista de resoluções do próximo ano.

Se, no início deste mês, me tivessem perguntado se havia algo que gostaria de mudar no próximo ano, eu provavelmente teria dito que a mudança é sobrevalorizada e que está frequentemente associada a valores menos nobres e mais consumistas. Mas por vezes a mudança é tudo o que precisamos para conseguirmos dar mais valor ao que termos e aceitarmos quem somos.

Ir viver para um sítio diferente. Ter uma alimentação mais saudável. Criar uma nova rotina. Passar mais tempo com as pessoas de que gostamos. Criar algo novo. Ser mais minimalista. Estas são mudanças que nos ajudam a sentirmo-nos melhor connosco próprios e com os outros. Mas emagrecer apenas para alcançar um estereótipo de beleza ou comprar o novo iphone apenas para exibir o estatuto social são resoluções vazias. Elas podem parecer boas opções na altura mas não representam verdadeiras mudanças. Sobretudo porque não estamos a tentar agradar a nós mesmos, estamos apenas a lutar por um ideal baseado naquilo que a sociedade espera de nós. O problema de algumas mudanças não é a mudança em si mesma, mas aquilo que nos motiva a faze-la. Porque aceitar quem somos pode ser bem mais importante do que qualquer resolução.

Antes do dia de Natal, uma época em que devia estar a sentir-me feliz e agradecida comecei a sentir-me cansada, aborrecida e desencantada. Aquele velha sensação que temos quando estamos num sítio onde não desejamos estar. Assim que mudei o lugar onde estava tudo ficou mais simples e claro novamente. É certo que esta mudança tem um prazo de validade curto e vai expirar depois do ano novo, mas é suficiente para recuperar energias e para me voltar a apaixonar pela minha cidade preferida.

Durante esta semana decidi escolher a calma, o melhor remédio para começar o ano com energia o suficiente para concretizar todos os meus desejos. As minhas refeições são feitas sentada à mesa, em família, e comidas devagar. Os livros que antes estavam a apanhar pó, agora andam espalhados pela casa. Ora leio um pouco na sala, ora no quarto, ora no jardim. Eles viajam comigo e eu viajo com eles. Até o meu tempo com as pessoas de quem gosto tem sido aproveitado da melhor maneira.

Neste momento não desejo mais mudanças, mas todos sabemos que as mudanças são inevitáveis, tal como os recomeços. Dito isto acho que a minha maior resolução para este novo ano é continuar a ser fiel a mim mesma e às coisas que me fazem feliz, mesmo em tempos de tempestade. Afinal, as marcas, as lojas e a publicidade já se esforçam o suficiente para nos fazerem acreditar que há algo de errado connosco que precisa de ser corrigido e eu não vou dar-lhes a satisfação de começar o ano a pensar no que vou ter de comprar amanhã. Em vez disso, vou pensar nas minhas qualidades e naquilo que aprecio e começar o ano com mais agradecimentos do que resoluções.


ACCEPT. CHANGE. RENEW

Dawn of December.
Light as a feather. It’s easy to feel like this when it’s my favorite month. The nights are serene. My mind is at peace. Smiles are easily given away. The tomorrow seems brighter than ever.

Before Christmas.
My thoughts race, but everything around me moves slowly. Hours take days to pass and minutes contain an infinity of seconds. Meanwhile, my mind keeps sneaking up on me and fatigue is making me exhausted and nervous. My favorite town is losing its charm, I am alone, and we’re less than 24h away from Christmas night.
These days aren’t being easy.

Christmas.
A few hours away from Christmas, I am on a bus on my way home. The kilometers go by slowly, but I feel ever calmer. The colder air, the safety of the town and the closeness of family. Within seconds my mind clears up and fatigue fades to nothing. Christmas can now finally begin.

Fall Of December.
Light as a feather. It’s easy to feel like this when it’s my favorite month. The nights are serene. My mind is at peace. Smiles are easily given away. The tomorrow seems brighter than ever.
*
The month of December was the best and worst, the calm and the storm. But soon this month will end, and with it, the year will too. Every time the 31st of December draws closer we begin to think about all the resolutions we made last year. We review the last twelve months in our head and weigh in an invisible scale the good, bad and what will have to wait for next year.
If, at the start of this month, you had asked me if there was something I’d like to change next year, I’d probably answer that change is overrated and that it’s linked closer to more consumerist ideals rather than noble ones. But sometimes, change is all we need to value what we have and accept what we are.
Living somewhere else. Eating healthier. Creating a new routine. Spending more time with our loved ones. Create something new. Being more minimal. These are changes that help us feel better with ourselves and with others. But thinning just to reach a beauty stereotype or buying the latest iPhone only to show our social stature off are empty resolutions. They might seem good options at first, but they don’t reflect true change. Mostly because we’re not trying to please ourselves, we’re just fighting for an ideal based on society’s expectations. The problem with some changes isn’t the change itself, but what makes us undergo that process. Accepting who we are might very well be more important than any resolution.

Before Christmas day, a time where I should be feeling happy and thankful, I started feeling tired, bored, and with no sense of wonder left in me. That old feeling we have when we’re somewhere we don’t want to be in. As soon as I changed where I was, everything became simple and clear again. Obviously this change lasts only but a moment and will die out after New Year’s Eve, but it’s enough to bring my drive back and make me fall in love with my favorite city again.
For this week, I chose tranquility, the best way to start the year with enough energy to make all my desires come true. My meals are at the table, with family and enjoyed slowly. The books that were once gathering dust are now spread around the house. A little bit of reading here in my room, some in the living room and then some in the garden. They travel with me and me with them. I even made the best of the time I spend with my loved ones.

Right now, I wish for no more change, but we all know change is inevitable, just like renewals. That said, I believe my greatest resolution for this new year is to keep being faithful to myself and the things that make me happy, even during darker times. After all, brands, stores and ads already make enough effort to make us believe that there’s something with us that needs fixing, and I won’t give them the satisfaction of starting my year thinking about what I’ll buy tomorrow. Instead, I’ll think about my own virtues and what I enjoy, and begin the year with more thankfulness than new resolutions.

8 comentários:

  1. Tão bom ler estas palavras...Que seja um Bom Ano!

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  2. Gostei muito. Um óptimo texto que estava mesmo a precisar de ler para ter mais confiança nas minhas mudanças e no meu segundo ano a viver no meu mundo mais minimalista.
    Feliz Ano Novo.

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    1. Obrigada Edna, também era um texto que eu estava mesmo a precisar de escrever. Boa sorte no teu segundo ano de minimalismo.
      Feliz Ano Novo!

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  3. Sobre emagrecer para atingir status social ,foi a parte que eu me identifiquei pois estava querendo emagrecer por causa de perfils do Instagram ,é curioso observar o quanto nos mulheres ainda caimos nessa de corpo modelo da victoria secrets e rosto de gisele bundchen,depois desse texto vou refletir

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    1. É mesmo bastante triste ver como caímos facilmente nessa armadilha de querer mudar apenas para ser mais parecida a outra pessoa, quando na realidade devíamos estar agradecidos por termos certas qualidades que nos tornam únicas e que nos fazem ser quem somos.

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