Minimalismo – Partilhar depois de ler






“Comprar um livro não é suficiente. É preciso absorver o conhecimento que ele contém. Porque o conhecimento não depende daquilo que está na tua estante, mas daquilo que guardaste em ti”. Esta frase do escritor ganês Israelmore Avivor é a minha principal inspiração para a forma como eu encaro o acto de ler e de comprar livros ou revistas.

Estantes cheias de livros sempre foram o reflexo máximo do conhecimento de alguém. Comprar livros, exibir livros. Mas quando relemos as palavras do Israelmore Avivor apercebemo-nos que a importância não está naquilo que compramos, nem naquilo que mostramos. A verdadeira riqueza da leitura está naquilo que fica connosco, mesmo depois do livro desaparecer do nosso alcance.

Há livros e revistas aos quais faço referência quase todas as semanas. Por uma razão ou por outras, as coisas que li regressam com frequência há minha memória e introduzem-se nas minhas conversas, naquilo que eu escrevo e na forma como eu penso. O curioso é que estes livros não existem. Eles não estão em minha casa. As suas capas não passam de uma miragem na minha mente e nem me lembro da razão porque os decidi ler. Mas, ainda assim, o conhecimento que eles me transmitiram permanece na minha cabeça. Guardar um livro ou uma revista na estante não os vai tornar imortais. O que vai garantir a sua vida eterna é o conhecimento que ficou guardado dentro de nós.

As bibliotecas são o melhor lugar do mundo para absorver conhecimento sem ficarmos presos a um objecto físico. O simples acto de requisitar um livro e depois devolvê-lo funciona como uma espécie de meditação. Nós escolhemos um livro, agarramos o conhecimento que ele tem para partilhar e depois devolvemo-lo sem arrependimentos. Porque a pessoa que saiu da biblioteca sem o livro é uma pessoa mais rica do que aquela que pratica o Tsundoku. Uma palavra japonesa que representa o acto de comprar livros e deixá-los amontoarem-se em prateleiras ou no chão sem nunca serem lidos.

Apesar de eu adorar ir à biblioteca, às vezes é difícil encontrar lá certos livros ou revistas. E é aqui que eu recorro ao verbo comprar. Pode parecer um capricho estar a comprar certos livros e revistas quando existe uma biblioteca perto de mim com uma imensidão de livros que nunca li. Mas, também no que diz respeito aos livros e às revistas, devemos ser exigentes com aquilo que escolhemos ler. O tempo é uma variante preciosa e estar a ler algo apenas pelo acto de ler pode ser tão inútil para nós como não ler nada. Além disso, como o escritor Haruki Murakami escreveu no livro Norwegian Wood, se apenas lermos aquilo que toda a gente lê, só pensamos naquilo que toda a gente pensa. Talvez esta frase seja a razão por que adoro ler revistas escritas em países onde nunca fui e livros sobre temas de que ninguém fala. 

A única parte má em procurar e comprar revistas e livros que acho interessantes e diferentes é que depois de os ler eles ficam abandonados na minha estante. Para mudar isto decidi criar um novo hábito associado àquilo que eu leio. Agora, cada vez que estou a ler, tenho um caderno perto de mim onde vou apontando citações, ideias e tudo aquilo que eu acho interessante no livro ou na revista. Assim, quando termino o livro posso dá-lo a alguém que vá gostar tanto dele como eu gostei. Uma solução simples para poder continuar a comprar livros sem sentir o peso deles na minha estante. Ainda vou continuar a guardar alguns mas só aqueles que forem mesmo muito importantes para mim e que eu saiba que vou querer ler e reler vezes e vezes sem conta. O livro Lolita do Vladimir Nabokov é um desses exemplos. Já o li umas três vezes e continua a ser um dos meus livros preferidos. 

Para tornar esta experiência mais interessante, vou acrescentar a cada livro um caderno feito por mim com um pequeno texto sobre o momento de calma que tive durante a minha leitura. O resto do caderno pode servir para tirarem os vossos próprios apontamentos para no final da leitura também poderem dar o livro ou a revista a alguém que o vá apreciar.

A maior parte dos livros que vão fazer parte desta experiência são sobre minimalismo, calma, consumo ético e comércio justo e vão ser escritos em inglês, até porque muitos nem sequer têm edições em português. 

Até ao momento ESTES são os livros e revistas que estão prontos para sair da minha estante e irem até à tua.

Quase todos os meses vou adicionar novos livros e revistas que já li. Eles são todos usados mas prometo ter o maior cuidado com eles para ainda parecerem novos quando chegarem às tuas mãos. Eu envio para todo o mundo e vão ter sempre o preço único de 15 euros, independentemente do livro que escolheres, do caderno que vou oferecer e do sítio onde vives, só precisas de me mandar um email a dizer que estás interessado para inescatarinapinto65@outlook.com

Afinal, o melhor daquilo que lemos não é o que fica guardado na estante é o que guardamos na memória.


MINIMALISM – SHARING AFTER READING


“Buying a book is not enough. It’s necessary to absorb the knowledge it contains. Because knowledge doesn’t depend on what is in your shelf, but on what is within you”. This quote from the Ghanian writer Israelmore Avivor is my main reference for how to face reading and buying books and magazines.

Shelves filled with books have always been the maximum reflection of someone’s knowledge. Buying books, displaying books. But when we read Israelmore Avivor’s words, we realize that the important thing isn’t what we buy, or what we display. The true value of reading comes from what stays with us, even after the book is out of our reach.

There are several books and magazines that I reference each week. For one reason or another, the stuff I read return frequently to my mind and seep into conversations, into what I write and the way I think. The funny thing is, these books don’t exist. They aren’t in my house. Their covers are nothing but a mirage in my mind and I don’t even remember the reason why I read them anymore. Still, the knowledge they endowed me with stays within my head. Keeping a book or a magazine on a shelf won’t immortalize them. What will grant them eternal life is the knowledge within us.

Libraries are the best place in the world to absorb knowledge without creating attachments to a physical object. The simple act of requesting a book and then giving it back works as a kind of meditation. We choose a book, absorb the knowledge it has to share, and then give it back without regrets. The person that left the library without the book is richer than the Tsundoku practitioner, a Japanese word that represents the act of someone who buys books and lets the pile up in shelves or the floor, never to be read.

Even though I love going to the library, it’s hard to find certain books or magazines there sometimes. This is where my use of the verb “to buy” comes in. It might seem like something of a luxury when I have a library with tons of books and magazines that I’ve never read nearby. However, when it comes to books and magazines, we should be demanding with what we read. Time is a precious thing, and reading something for the sake of reading may be as useless as reading nothing. As Haruki Murakami wrote in his book, Norwegian Wood, if we read what everyone else reads, we’ll only think like everyone else too. Maybe this is the reason why I love to read magazines from countries I’ve never been to and subjects nobody talks about.

The bad thing about buying interesting books and magazines is that after reading them, they just sit there on my shelf. In order to change this up, I decided to create a new habit centered on what I read. Now, every time I read something, I keep a notebook close by where I can write quotes, ideas and everything interesting down. That way, when I finish the book, I can give it to someone else that will enjoy it as much as I did. A simple solution that enables me to buy books, without feeling their weight on my shelf. I’ll still keep some around, but only those that I’ll want to read time and time again. Lolita, from Vladimir Nabokov is one such example. I’ve read it three times and it’s still one of my favorites.

In order to make this experience more interesting, I’ll add to each book a self-made notebook containing the moment of peace I felt during my time reading it. The rest of the notebook might be used to take your own notes, so that by the end of the book you can give it to someone who will enjoy it just as much.

Most books that will be a part of this experiment are about minimalism, calmness, ethic consumerism and fair trade, and will be in English, since many don’t even have variants in Portuguese.

Up until now, THESE are the books that are ready to leave my shelf in favor of yours.

Almost every month, I will add new books and magazines I’ve already read. They’re all used, but I promise I’ll be as careful as possible handling so that they’ll still look brand new when they reach you. I ship worldwide, and they’ll always have a fixed price of 15€, independently of the book you choose, the notebook I offer and the place you live in. E-mail me at inescatarinapinto65@outlook.com if you’re interested.

After all, the best of what we read isn’t what you keep in your shelf, but what you keep within you.


12 comentários:

  1. Boa noite gostaria muito de receber o "Consumed", como faço para efetuar o pagamento? Moro no Brasil, meu email é manioliveira@hotmail.com

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    1. Olá Caroline, esse é um óptimo livro :) Enviei-te agora um email com mais informações.

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  2. Inês, que ideia ótima!
    Estava com muitos livros na estante e ainda comprava outros, sendo que no momento estou me dedicando a um projeto profissional que exige um estudo muito intenso. Alguns livros que tinha já estavam comigo há mais de 3 anos e nunca li, ainda por cima frequentava livrarias e trazia mais para casa e, ao invés de ler esses antigos, lia os novos. Por isso me desfiz.
    Você está certissima. Estou tentando me desvincular dessa ideia de ter uma estante cheia de livros. Deve dar um trabalho enorme, acumular pó e para que ter livros que não me tocaram tao profundamente e eu não vou reler? Só levo comigo os meus amados mesmo. O restante ler, refletir, me entreter e doar. Dar essa oportunidade a uma pessoa que eu gosto ou até mesmo desconhecida. É o que tenho feito.
    Beijos, Jéssica

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    1. Eu estava com o mesmo problema Jéssica. Adoro ler e por vezes isso significava estar sempre a trazer novos livros para casa mesmo quando ainda não tinha lido os que já estavam na estante.
      Mas desde que decidi seguir esta abordagem minimalista em relação aos livros estou arranjar mais espaço na estante para os livros que nunca me importo de ler novamente.
      Beijos, Inês :)

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  3. Ola Ines!
    Estou interessada no
    Minimalism: Live a Meaningful Life escrito pelo Joshua Fields Millburn e Ryan Nicodemus
    vou tentar enviar email!
    Obgda!

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    1. Olá :) Envia-me por favor um email para inescatarinapinto65@hotmail.com
      Assim podemos tratar do envio do livro.
      Obrigada

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  4. E também me debato com o memso problema... tanto que ja ha anos que nao compro livros, a nao ser +/- úteis ou +/- técnicos e que nao consiga arranjar na biblioteca... tenho vários em casa (de literatura, oferecidos ou nao) de que me queria desfazer. Pensei doar a uma biblioteca (ja me informei sobre isso) para que tanto eu como outra pessoa possa ter acesso aos mesmos...
    O problema maior (e de consciencia!) são os livros de curso.. terminei o meu curso em 2000, algumas coisas já desactualizadas doei... outras sei lá se poderão vir a ser úteis! a soluçãoi seria doar também a uma biblioteca onde pudesse um dia mais tarde requisitar, e penso seriamente nisso.. Só ainda nao me vi livre deles porque o desemprego pode sempre bater à porta, a vida dá muitas voltas e sei lá se poderei vir a precisar?? enfim... veremos... mas que não os aguento ali, isso é verdade...

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    1. Os livros técnicos são o tipo de livros que mais acumulamos. Normalmente são livros caros e por vezes custa desfazermo-nos deles apenas por essa razão.
      O melhor é mesmo sermos selectivos. No teu caso acho que podias ficar com os livros que ainda estivessem actualizados e que pudessem ser uma mais valia para ti no futuro.

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  5. Adorei a ideia! pena que o frete brasil - portugal é um pouco caro,mais esse post me fez pensar nos 100 livros que tenho e jurei que iria ler todos ,e só li 30 .. aqui no Brasil temos bibliotecas no metro ,ai compartilhamos livros por lá,vou deixar alguns meus lá ,ai em Portugal tem esse projeto?

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    1. Aqui no metro costuma haver algumas feiras do livro de vez em quando mas adoro a ideia de haver bibliotecas no metro. Adoraria que começassem a fazer isso também em Portugal :)

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  6. Qual seus hobbies?adorei seu estilo no instagram
    Maria Máângela

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    1. Olá Maria,

      Obrigada :) Bem, os meus hobbies são fazer cadernos à mão, ler, passear e também gosto imenso de ver séries.

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