FOMO - Fear of missing out




Aqueles primeiros minutos do dia depois de acordarmos são possivelmente os minutos mais calmos que temos no dia. Ainda há silêncio lá fora e a cidade ainda está a acordar. A maior parte das pessoas ainda está num estado de meia sonolência, uma espécie de anestesia subtil que nos obriga a lidar com mais calma com o mundo à nossa volta. Mas entretanto ligamos a televisão, ouvimos rádio, navegamos pela internet e lemos as notícias nas bancas de jornais. Assim, em minutos a nossa calma começa a desaparecer e a dar lugar a uma leva preocupação porque enquanto dormíamos o mundo não parou de girar.
De repente apercebemo-nos de tudo o que perdemos enquanto o nosso corpo e mente estavam em modo de descanso. Houve acontecimentos que não seguimos em directo, artigos que não lemos, episódios de séries que não vimos e acontecimentos que ainda nem sabemos que acontecerem. Subitamente apercebemo-nos do pior: Vivemos na era da informação mas nunca sabemos o suficiente. Há sempre uma nova notícia de última hora, uma nova descoberta, um novo medo e uma nova moda. Tudo isto enquanto dormíamos.
Há quem diga que as sociedades perfeitas e utópicas não são mais do que um sonho, uma miragem inalcançável e talvez seja por isso que quando achamos que estamos perto de alcançar um ideal que surge logo uma consequência negativa em conjunto. No caso da liberdade e da abundância de informação das sociedades ocidentais a consequência é sem dúvida o FOMO – Fear of Missing Out.
Como é que podemos dormir, descansar, passear no campo e aproveitar uma viagem de carro se sentirmos que cada segundo que estamos desligados de um meio de comunicação é um atentado ao nosso conhecimento?
Sobreviver num mundo em que a informação é de tal modo abundante que é difícil de consumir pode deixarmos com este medo de perdermos algo, como se fosse uma nostalgia futura que nos deixa com medo e saudade de sabermos algo que ainda nem conhecemos.
Mas a verdade é que não só não precisamos de saber tudo como também não queremos. Porque por vezes, apenas por vezes, a ignorância pode ser mesmo uma bênção. E apesar de termos ao nosso dispor toda a informação do mundo há tipos de informações que são irrelevantes e que não contribuem em nada para termos um conhecimento melhor do mundo que nos rodeia.

Talvez o medo de perdermos algo novo seja a doença do século XXI mas, se formos inteligentes o suficiente, sabemos que o que importa é a qualidade e não a quantidade e que as notícias, artigos e programas que vão realmente contribuir para sermos seres humanos mais informados não são assim tão abundantes, mesmo depois de passarmos oito horas a dormir.


FOMO - FEAR OF MISSING OUT

The first few minutes after we wake up are possibly the day’s calmest.  Outside it’s still silent, and the city is still half asleep. Most people are still sleep dazed, something of a mild anesthesia that makes us deal with the world around us at a slower pace. But at the same time we turn our TV on, listen to the radio, browse the web and read the news at the local newspaper stand. In just a few minutes, our serenity fades away and a sense of worry kicks in when we realize the world hasn’t stopped spinning.
All of a sudden we realize all we missed while our body and mind were offline. Stuff happened that we didn’t witness live, articles were written that we didn’t read, the latest episode of our favorite series was broadcast, and some other events we don’t even know about. All of a sudden we realize the worst: We live in the age of information, yet we never know enough. There’s always a last-minute piece of news, a new discovery, a new fear and a new fad. All of this happened while we slept.
Some say that perfect, utopian societies are nothing more than a pipe dream, an unreachable mirage, and maybe that’s why when we thing we’re close to reaching a certain ideal, something bad comes along with it as well. In case of information freedom and abundance of occidental societies, the consequence is definitely the FOMO – Fear of missing out.
How can we possibly sleep, rest, stroll through the woods and enjoy a car trip when we feel that every second passed without a connection to a source of information is an affront to our knowledge?
Surviving in a world where there is a supply of information so great it’s hard to take in may leave us with this fear of  missing out, like foreshadowed nostalgia that makes us miss what we don’t even know yet.
But the truth is that we don’t really need to know, or need to know everything. Sometimes, ignorance really can be bliss. Even though we have all the information we could want at our disposal, among that is also information that is useless and contribute nothing towards a better understanding of the world.

Maybe the fear of missing out is the great disease of the XXI century, but, if we’re sharp enough, we’ll know that what matters is quality, not quantity, and that news, articles and programs that really do aid us in becoming better, more informed humans, aren’t even that many, even after our eight hours of sleep.


2 comentários:

  1. "(...) Talvez o medo de perdermos algo novo seja a doença do século XXI (...)" dá uma bela linha de pesquisa. ;)

    É ainda mais assustador pra quem tem de consumir coisas "diferentes" por questões de profissão. A gente procura mil coisas pra criar uma bagagem extensa, mas quando vê criou foi um baú sujo, cheio de tralha.

    Beijocas. Adoro aqui :*

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