Revelar ou não revelar?


Quando o meu computador começa a mostrar fraqueza e ameaça não ligar novamente a minha preocupação concentra-se apenas numa pasta muito específica do meu computador – a pasta das fotografias. É impossível não sentir um pequeno nervosismo só de pensar na quantidade de memórias que estão guardadas nessa pasta e na possibilidade de as perder de forma tão repentina. Contudo, a razão por que decidi organizar as minhas fotografias no meu computador, em vez de estarem organizadas em álbuns fotográficos ou em caixas, é por eu acreditar que, como minimalista, deveria diminuir os objectos há minha volta, e não aumentá-los. Mas, não consigo deixar de sentir que ao armazenar as fotografias num dispositivo electrónico que elas estão mais sujeitas do que nunca a perderem-se.
Após várias semanas a ponderar os prós e os contras de ter as minhas fotografias organizados no computador ou em formato físico, continuava dividida sobre o que seria melhor eu fazer. Por um lado, ter as fotografias no computador é mais prático, mais barato e estou a ocupar menos espaço. Por outro lado, ter as fotografias em papel é uma forma de as ter mais presente e mais seguras, afinal, não podemos ignorar a rapidez com que as tecnologias evoluem. Quantos de nós deixaram de ver os filmes de quando eram crianças porque os dvds substituíram os leitores de cassetes?
Como nenhuma destas opções parecia ser a solução certa para lidar com as minhas fotografias decidi estabelecer um ponto de equilíbrio e escolher os dois suportes para ter as minhas fotografias. Assim, meti mãos à obra e seleccionei as fotografias que queria revelar. Posso já dizer que esta tarefa não foi nada fácil, principalmente porque comecei pelas fotografias que tinha de uma das melhores viagens que fiz até hoje. Mas, para facilitar o processo, decidi impor algumas regras a mim mesma.

1 – As fotografias têm de ser mesmo significativas.
Isto significa que as fotografias que revelei não incluem monumentos históricos, cujas imagens facilmente se encontram no Google, nem selfies que poderiam ter sido tiradas em qualquer altura e em qualquer lugar. Decidi revelar apenas fotografias que fossem uma espécie de auxiliar de memória dos melhores momentos que tive nessa viagem. É por essa razão que preferi revelar a fotografia em que estou a falar de música e livro com uma rapariga russa que tinha acabado de conhecer do que a típica fotografia de turista em frente a um qualquer monumento. No final, pode-se dizer que o meu maior critério foi definitivamente a história por detrás da fotografia.

2 – Os cadernos são os novos álbuns de fotografias
Quando comecei a pensar em revelar fotografias, um dos meus principais instintos foi pensar no tipo de álbum de fotografias que queria comprar. Mas depois comecei a perceber o erro que estava prestes a cometer. Ao comprar um álbum estaria a cair na tentação de o querer preencher e isso ia levar-me a escolher fotografias em função do número e não da sua história. Para evitar esta tendência de preencher espaços decidi comprar um caderno e fazer dele o meu álbum de fotografias personalizado.

3 - Menos é mais
Vão sempre haver momentos que não queremos esquecer, e essa é uma das principais razões porque tiramos fotografias. Mas, agora, ao rever as 2390 fotografias que tinha desta viagem apercebi-me que poderia ter tirado apenas 100. Quando viajamos é normal sentimos que se não fotografarmos que o momento se perde, mas tirarmos vinte fotografias de um monumento não vai fazer-nos lembrarmo-nos mais dele. Pelo contrário, uma fotografia significativa pode valer mais do que vinte “cliques” rápidos.


Após ter feito esta seleção consegui ter melhor noção de como posso ser minimalista com as minhas fotografias. Ao utilizar a máquina apenas para captar momentos únicos e interessantes consegui aproveitar melhor o momento e no final do dia já não preciso de escolher as fotografias que vou querer guardar.

4 comentários:

  1. Respostas
    1. Essa é uma excelente ideia! É mais ou menos o que eu pretendo fazer :)

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