Mudar o mundo



Numa utopia minimalista e futurista o mundo é um lugar onde o capitalismo não existe e onde o consumismo é desnecessário. Contudo, para o melhor ou para o pior, este mundo não existe e a maior parte de nós, por mais minimalistas que sejamos, vai eventualmente acabar por comprar ou adquirir certos produtos ao longo da sua vida.
Quando vivemos numa sociedade em que o nosso dia-a-dia ou o nosso estilo de vida não nos permitem afastarmo-nos muito do acto de consumir certos produtos, a coisa certa a fazer é aprender a comprar.
Por cada produto que adquirimos, seja roupa, um carro, um vegetal ou mesmo água, estamos a apoiar tudo o que se esconde por detrás desse bem, desde a mão-de-obra ao impacto ambiental. Quando ignoramos o que estamos a comprar, estamos inocentemente a desprezar os nossos valores. Se nos perguntarem se apoiamos o trabalho escravo, a degradação do planeta terra ou a utilização de produtos típicos para produzir bens que consumismo, a maioria de nós vai dizer que não. Mas quando estamos a comprar uma camisola que foi produzida por mão-de-obra infantil ou quando comemos carne que foi produzida num ambiente industrial, estamos a apoiar marcas e empresas que agem de forma aposta aos nossos valores.
Por vezes, acreditamos que para salvarmos o planeta basta plantar uma árvore, ou que para acabar com o trabalho escravo só precisamos de assinar uma petição. Contudo, se nos esforçarmos por praticar ações no nosso dia-a-dia que estejam em concordância com os nossos valores, o mundo tem mesmo uma oportunidade de se tornar num lugar melhor.
A Lush é um exemplo de uma empresa que está a tentar transformar o mundo num lugar melhor. Eu já tinha falado desta marca quando escrevi sobre marcas que apoiam o comérciojusto, mas como é uma das marcas sustentáveis com que estou mais familiarizada não resisti em usá-la como exemplo novamente. A Lush criou há pouco tempo um creme solidário chamado Charity Pot, com sete ingredientes provenientes dos projectos SLush Fund. Este projeto baseia-se no estabelecimento de parcerias com as comunidades que criam os produtos para, dessa forma, estas comunidades terem a oportunidade de ter ganhos reais com o seu trabalho, ajudando a economia local. Baseado nos 3 princípios fundamentais da permacultura (cuidar da terra, cuidar das pessoas e distribuição equitativa) este projecto já contribuiu para o desenvolvimento contínuo de 32 projectos em 19 países diferentes, sendo que, uma das últimas colaborações que a Lush fez foi com a Fundação Vicki Bernadet, contra o abuso sexual infantil no meio familiar.
A diferença entre comprar um creme de marca branca ou comprar, por exemplo, um destes cremes da Lush não está só no preço. Muito pelo contrário. A diferença entre comprar um tipo de produto e não outro está no tipo de sociedade que estamos a ajudar a construir.


CHANGING THE WORLD

In a minimalistic and futuristic utopia, the world is a place where capitalism is nonexistent and where consumerism is unnecessary. However, for better or worse, that world does not exist, and most of us, as minimalist as we might be, will eventually end up buying certain products during their lifetimes.
When we live in a society in which our day to day or lifestyle won’t allow us to step away too much from the act of buying certain things, the right thing to do is learning how to buy.
For every product we acquire, be it clothing, a car, a vegetable or even water, we are supporting everything behind it, from labor to environmental impact. When we ignore what we’re buying, we’re unknowingly disrespecting our core values. If someone asks us if we support slave labor, the destruction of Earth, or the usage of products designed for consumerism alone, we’ll likely answer no. But when we buy a shirt made through child labor or when we eat meat produced in an industrial environment, we’re supporting brands and companies that act in ways that oppose our supposed values.
Sometimes, we believe that in order to save the planet, we need only to plant a tree, or that to end slave labor, signing a petition is all it takes.
However, if we really do put some effort into doing things on our day to day that resonate with our values, the world really does gain something from it.
Lush is a prime example of a company that is trying to turn the world into a better place. I’d spoken about this brand when I wrote about brands that support fair trade, but since it’s one of the brands I am most familiarized with, I had to use it as an example again. A while back, Lush created a solidary cream called Charity Pot, with seven ingredients obtained from the Lush Fund projects. This project is based on partnerships with the communities that create their products, so that these communities can have tangible gains with their work, boosting the local economy. Based on the three fundamental principles of permaculture (caring for the earth, people and equal distribution), this project has contributed to the continuous development of 32 projects in 19 countries, being one of the latest contributions a partnership with the Vicki Bernadet foundation, against child abuse in family environments.

The difference between buying an off the shelf cream or one of these, isn’t just the price. The difference between buying one kind of product in favor of another weighs in on the type of society we want for the future.

7 comentários:

  1. Ao ler o teu texto lembrei-me de uma entrevista que li há alguns anos da Catarina Portas em que ela dizia que era nossa responsabilidade como consumidores perceber que as nossas escolhas têm consequências e que temos nas nossas mãos a capacidade de dizer algo quando compramos A em vez de B. Ficaram-me sempre na memória as palavras dela.

    Aproveito para te dar os parabéns pelo blogue. Acompanho já algum tempo e é inspirador ler as tuas palavras...fazem-me ter vontade de ser alguém melhor. Há alguma coisa melhor que isso =)?

    Sofia

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    1. Acho que vou procurar essa entrevista da Catarina Portas, parece ser muito interessante :)

      Obrigada eu, por gostares do meu blogue :) Isso dá-me ainda mais vontade de continuar a escrever.

      Inês

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  2. Ótima reflexão! Tenho repensado muito a forma como eu compro, diminuindo a quantidade e repensando na qualidade, especialmente na forma como esse item foi produzido! É preciso ir além da questão financeira e compreender que existe algo errado em preços absurdamente baixos.

    Adorei o texto e compartilhei na pagina do blog! :D

    Abraço!

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    1. Obrigada Bruna :) Fazer compras inteligentes tem sido um dos meus principais objectivos. É óptimo pensar que podemos estar a tornar o mundo melhor através do simples hábito de comprar algo melhor.

      Obrigada pela partilha :)

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  3. Amei seu texto e vou repassar para os meus.
    Super importante incorporar na nossa vida o minimalismo em tudo que puder.

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  4. Adoro seus posts! Você ainda vai ser uma das pessoas mais influentes nas minhas decisões futuras, obrigado. Hahaha

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