Vazia por dentro, bonita por fora



Por cada cinco campanhas que apelam ao consumismo, à superficialidade e à aparência é capaz de haver uma que nos relembra que a maior parte das pessoas não são top-models e que não há nada mais bonito do que o nosso próprio corpo. A Dove é um desses casos. Nos últimos meses esta marca lançou várias campanhas com o objetivo de aumentar a autoestima das mulheres, relembrando-as que são perfeitas tal como são e que a única coisa que as impede de se considerarem bonitas são elas mesmas.
Contudo, apesar de achar estas campanhas fascinantes não consigo deixar de pensar que isto não é o suficiente. Será que a adoração do nosso físico é tudo o que precisamos para levar uma vida melhor e mais significativa?
Eu nunca me queixei muito do meu corpo, obviamente que há coisas que gostava que fossem um pouco diferentes mas nunca fiquei obcecada por essas pequenas coisas. Talvez seja por isso que não consigo parar de pensar que a aparência física não é tão importante para o nosso bem-estar psicológico, como nos querem fazer acreditar. Porque apesar deste tipo de campanhas fugir à ideia de beleza estereotipada, a verdade é que continua a lembrar-nos de quão importante é o nosso corpo e de como é importante apreciá-lo, independentemente de como nos sentimos por dentro e de quem somos. Além disso, os elogios que apelam à nossa inteligência, sabedoria, diversão ou simpatia parecem ter caído em desuso e agora só se ouvi dizer como parecemos bem ou como estamos bonitos.
Certamente que é importante sentirmo-nos bem, cuidarmos do nosso corpo e acreditarmos que os nossos defeitos e peculiaridades fazem parte de quem nós somos, mas não podemos continuar a ignorar a importância da personalidade e da nossa maneira de ser. 

Eu sempre ouvi dizer que devíamos manter o corpo e a mente são mas ultimamente parece que os nossos corpos têm roubado toda a nossa atenção e que a nossa mente está cada vez mais insana. 


EMPTY WITHIN, PRETTY OUTSIDE

For every five campaigns that appeal to consumerism, shallowness and appearance, there might be one that reminds us that most people aren’t top models and that there isn’t anything prettier than our own body. Dove is one such example. In the last few months this brand launched several campaigns with the purpose of raising the self-esteem of women all over the globe, reminding them they are perfect the way they are and that the only thing that prevents them from feeling beautiful are themselves.
However, even though I find these campaigns fascinating, I can’t stop feeling like this isn’t enough. Is the adoration of our physiques all we need to lead a more meaningful and happy life?
I’ve never really complained much about my own body, there are things that I’d obviously wish were a little different, but I never obsessed over those little details. Maybe that’s why I can’t stop thinking that physical appearance isn’t as important to our psychological welfare as they want us to believe. Because even though this kind of campaign does deviate from the stereotyped beauty ideals, the truth is that it still reminds us of how important our body is, and how important it is to appreciate it, independently of how we feel within and of who we are. The compliments that appeal to our intelligence, wisdom, enjoyment and sympathy seem to have been forgotten, only to be replaced by compliments on beauty.
It’s certainly important to feel good about ourselves, to take good care of our bodies and believing our flaws and quirks are part of who we are, but we can’t ignore the weight of our personalities and ways of being either.
I’ve always been told that we should keep our minds and bodies sane, but is seams that lately, our bodies have stolen the spotlight and our mind is breaking apart in the backstage.


4 comentários:

  1. Acho que sua reflexão faz muito sentido. Ontem mesmo assisti um comercial Dove que falava sobre a preocupação com axilas escurecidas e fiquei pensando que isso vai contra toda a campanha que fazem pela auto-estima.

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  2. Muito boa reflexão! to adorando o blog

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  3. Isso é muito importante,por exemplo eu posso estar bem mesmo sem maquiagem,e vestida de qualquer jeito,mais como pensar isso se tudo me diz que estou errada e que a felicidade vem de fora para dentro?

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  4. Concordo, imagino que uma pessoa obcecada pela aparência deva ser muito desinteressante.

    Há muitas outras qualidades para se apreciar em alguém, mas a cultura machista ainda persiste em dizer que a beleza é o que há de mais admirável em uma mulher - inteligência, independência e ambição, por exemplo, que são aspectos muito estimados nos homens, são características muito mal vistas quando aplicadas ao universo feminino.

    Marianna

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