Os verdadeiros escravos da moda



Sweatshop (ou sweat factory) - Termo pejorativo para um local de trabalho com condições de trabalho socialmente inaceitáveis.


Dificuldade em arrumar toda a roupa que têm. Esta é uma das frases proferidas por uma das bloguers convidadas para participar na série televisiva norueguesa Sweatshop. Se o nome não deixasse adivinhar um cenário menos feliz poderíamos acreditar que esta seria apenas mais uma série televisiva sobre a vida privilegiada de um grupo de raparigas ligadas ao mundo da moda. Mas, como o nome indica, esta série é sobre a realidade que está por detrás da indústria da moda.
Se as bloguers norueguesas começaram a série a falar sobre as maravilhas associadas ao mundo da moda, bastou uma viajem até a uma fábrica têxtil no Camboja para lhes revelar uma realidade onde a miséria, o desespero e a tristeza fazem parte do dia-a-dia de centenas de pessoas.
Esta série já foi filmada em meados de 2014 mas, infelizmente, o tema é tão actual e real como era há um ano atrás. Quando o realizador norueguês Joakim Kleven decidiu filmar esta série ele queria marcar uma posição e alertar para o que realmente se passava no interior das fábricas, afirmando mesmo que "os jovens da Noruega gastam uma quantidade enorme de dinheiro em roupas, mas que não fazem ideia onde é que elas são produzidas".
Se nos dois primeiros episódios as bloguers Ludvig, Frida e Anniken lidaram com as temáticas associadas à mão de obra escrava e às más condições laborais com alguma levidade, referindo que esses trabalhadores têm sorte em ter trabalho e que eles estão habituados a essas condições, bastou passarem um dia numa fábrica do Camboja a ouvir os relatos dos trabalhadores para mudarem a forma como encaravam os bastidores da indústria da moda.
A série Sweatshop conseguiu abrir o debate política sobre as más condições de trabalho que existem associadas a grandes marcas de moda e chamar a atenção sobre como as marcas de fast fashion estão a provocar cada vez mais escravidão e más condições laborais. Contudo, esta série foi apenas um pequeno exemplo de uma realidade que ocorre em vários sítios, e não apenas no Camboja.
Mas, como refere Lucy Siegle no livro To Die For, este tipo de iniciativas não é novidade, séries como “Blood, Sweatand T’shirts” já tentaram mostrar a realidade que se vive nas fábricas têxteis em países como o Camboja. Contudo, a realidade ainda consegue ser pior do que aquela que é mostrada nestas produções televisivas, afinal, como referiu o realizador da série Sweatshop, a parte mais difícil da realização deste reality show foi encontrar uma fábrica onde deixassem fazer as gravações. O que nos deixa a pensar, o que haverá por detrás de todas aquelas fábricas onde nem sequer conseguimos entrar.

Apesar dos filmes e das séries serem uma excelente forma de documentar esta realidade e de revelar um pouco mais sobre este lado vergonhoso do mundo da moda, tudo o que podemos desejar é que a vontade de mudar esta realidade não desapareça quando o choque passar.


THE TRUE SLAVES TO FASHION

Sweatshop (or sweat factory) – derogatory term for a workplace 
with socially unacceptable conditions.

Difficulty in keeping all of their clothes organized. This is one of the phrases most written by one of the bloggers invited to take part in the Norwegian TV series, Sweatshop. If the name wasn’t enough to foreshadow a dark scenario, we might be led to believe that it was just a series about the happy life of a group of girls in the fashion world. However, as the name indicates, this series is about the harsh reality behind the fashion industry.
Even though the Norwegian bloggers kicked the series off by talking about the wonders of the fashion world, one trip to a factory in Cambodia was enough to make them see the reality where misery, despair and sadness dominate the lives of hundreds of people.
This series was filmed halfway through 2014, but unfortunately, the theme is as relevant and real as it was a year ago. When the Norwegian director Joakim Kleven decided to shoot this series, he wanted to make a statement and reveal what truly happens within these factories, saying even that “Norwegian youths spend an enormous amount of cash in clothes, but have no idea where they are made”.
Even though the bloggers Ludvig, Frida and Anniken dealt with the theme of slave work and bad working conditions lightly in the first two episodes, saying that those workers are lucky to have a job and that they’re used to that kind of situation, one day spent at a Cambodia factory, listening to the stories of workers was enough to change the way they looked at the backstage of the fashion industry.
The Sweatshop series managed to spark a political debate on bad workplace conditions that exist associated to great fashion brands, and make known about how fast fashion brands are spawning more and more slave work and terrible workplace ethics. Still, this series was just a small example of a reality that exists in many countries, not just Cambodia.
But, as Lucy Siegle mentions in the book To Die For, this kind of initiative isn’t new, series like “Blood, Sweat and T-shirts” have tried to show the reality behind fabric factories in countries like Cambodia. However, reality manages to be even worse that what is shown in these TV productions, as the director of the Sweatshop series says, the hardest part of that project was to find factories that allowed them to film in them, which makes us think what is behind all those other factories they didn’t ever get to see.
Even though movies and series are a good way to document this reality and to reveal the shameful side of the fashion industry, all we can hope is that the will to change doesn’t fade away after the shock dies out.

4 comentários:

  1. Mais essa blogueira nem mudou de vida,continua do mesmo jeito :(

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  2. Te indico "The True Cost", um documentário sobre a indústria da moda atual.

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    1. Vi esse documentário há pouco tempo e achei incrível!

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