Por um natal menos consumista



O natal é a minha época favorita do ano, sempre assim foi e acho que sempre assim vai ser. A verdade é que mesmo depois de me ter apaixonado pelo minimalismo e de me ter transformado numa feroz crítica do consumismo desenfreado, ainda gosto do natal, sobretudo pelos valores que lhe estão associados. No meu caso, o natal é marcado pelo azevinho vermelho de cima das mesas, pelo cheiro a bolos na cozinha e pelo facto de estar toda a família reunida.

O facto de eu apreciar tanto uma época que é marcada pelo consumo e pelo desperdício pode parecer estranho, mas o natal para mim sempre foi mais do que prendas e acredito que não mudaria assim tanto se este ano as prendas fossem eliminadas do menu de natal.

Apesar do consumo ser cada vez maior, devido às lojas e publicidades que nos fazem acreditar que o natal é feito de carrinhos cheios de compras, há coisas que podemos mudar para tornar o natal um pouco mais significativo e um pouco menos consumista.

Quando era mais nova a minha árvore de natal era um pinheiro de verdade, daqueles que são escolhidos cuidadosamente a um vendedor que exibe com orgulho as suas árvores, mas desde a minha adolescência que este pinheiro foi substituído por um uma árvore artificial que hoje, passado quase 8 anos ainda está como nova. Trocar um pinheiro por uma árvore de natal artificial é uma forma de poupar a natureza e manter esta tradição viva, já para não dizer que montar a própria árvore de natal também se tornou numa nova tradição de natal.

Mas a árvore de natal não é a principal fonte de desperdício que surge na época natalícia. O verdadeiro atentado à natureza e ao estilo de vida minimalista está nos embrulhos. Todos os anos são gastos quilos e quilos de papel para fazer embrulhos que acabaram no lixo. Isso acontece porque achamos que um objecto deve estar dentro de uma caixa, que deve estar envolta em papel, que deve estar dentro de um saco, que deve ter um laço. Eu adoro fazer embrulhos e admito que isso faz parte das minhas actividades favoritas desta época do ano mas não concordo com este desperdício.

Foi por esta razão que na minha família optamos por uma estratégia de diferentes de embrulhos. Há uns anos atrás comprámos sacos alusivos ao natal, sacos resistentes de diversos tamanhos, onde colocámos as prendas. Como as prendas são oferecidas e abertas no momento em que estamos todos juntos no final os sacos são guardados e no natal seguinte eles voltam e cumprem a sua função. Desta forma não há papel rasgado, nem laços no chão, nem caixas para deitar fora, como acontecia há uns anos atrás.

Com uma árvore artificial e com uma coleção de sacos que servem de embrulho de uns anos para o outro o meu natal tem ficado um pouco menos consumista mas a verdadeira questão continuam a ser os presentes. 

Como podemos combater o consumismo no natal quando a sociedade capitalista anseia por presentes? 

Talvez criando novas tradições onde os presentes não são uma obrigação. Talvez falando com as pessoas que conhecemos e dizer-lhe que não precisa de gastar o seu dinheiro e o seu tempo a comprar-nos algo só porque socialmente isso é o que se espera que as pessoas façam. Ou talvez oferecendo presentes mais significativos. Porque é que achamos que comprar uma camisola numa loja qualquer poderá ser um presente melhor do que oferecer uma fotografia com essa pessoa que foi tirada há cinco anos atrás e de que ela nem se lembra? Por vezes, tem mais valor oferecer algo feito por nós, ou algo único do que comprar algo que alguma revista ou loja marcaram como o “Presente ideal para ela!”. Afinal, vai ser mais rapidamente descartada a camisola da moda do ano passado do que a boneca que não largávamos na nossa infância.

Este ano vou tentar oferecer coisas únicas, coisas que não se encontram à venda em shoppings, e talvez para o ano alguém siga o meu exemplo e dê prioridade aos presentes significativos em vez de aos presentes a menos de 5€.

2 comentários:

  1. Tô gostando muito dos post e adorei a page do blog no instagram!!

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