Estilo minimal sem ser minimalista



A ambiguidade de um conceito está intimamente relacionada com o seu contexto. É  o que ocorre quando falamos em minimalismo.
Se pedir a cinco pessoas para me dizerem a primeira coisa em que pensam quando digo a palavra minimalismo, possivelmente vou receber cinco respostas diferentes. Uns falar-me-iam do minimalismo na arte ou na arquitectura, alguns do estilo de vida minimalista, e, quem sabe, talvez alguém me falasse sobre a moda minimalista ou sobre o minimalismo na linguística.
Como se o conceito não fosse já confuso o suficiente, ele está ainda associado a um elevado número de contradições e, para o melhor ou para o pior, este blogue é um excelente exemplo disso.

Quem me segue no Instagram e no Pinterest sabe que eu gosto de usar roupas com um estilo minimalista. Estas roupas têm cortes direitos, quase sempre sem padrões e com cores neutras. Este estilo, que começou a dar os primeiros passos quando a Coco Chanel se cansou do exagero ornamental que as mulheres da época usavam, está hoje a ser representado por diversas marcas de moda, como a Cos, e por determinados blogues, como o My Dubio da Joyce.
Ainda assim, ter um estilo minimal não significa ser minimalista. 

Por exemplo, aqueles que decidem viver uma vida de acordo com os valores do minimalismo desprezam a quantidade em valor da qualidade e substituem o materialismo pela simplicidade, como forma de se afastarem do consumismo desenfreado das sociedades capitalistas. Quem vive de acordo com este estilo de vida não está preocupado em comprar a última coleção de "básicos" da Zara. Bem pelo contrário, os minimalistas mais radicais, como Leo Babauta, preferem comprar roupa em segunda mão, e apenas quando é mesmo necessário.

A razão porque falo frequentemente aqui da moda minimalista e do estilo de vida minimalista é porque, apesar de poder existir alguma contradição entre os conceitos, existe também uma certa complementaridade.

Se comprarmos sobretudo roupa básica, que não nos deixe desiludidos quando a moda passar, estamos a investir em roupa que vamos querer usar durante bastante tempo. Se, por outro lado, comprarmos uma peça de roupa apenas porque está agora na moda, corremos um risco maior de deixarmos de gostar dela e, passado algum tempo, talvez seja necessário ir novamente às compras. Ter um estilo minimal pode tornar-nos menos consumistas, mas apenas porque as peças de roupa básicas têm mais longevidade do que o vestido que toda a gente quer comprar nesta estação. Mas, ainda assim, ter um estilo minimalista não significa viver uma vida mais simples. São conceitos complementares, mas diferentes.

Para mim o minimalismo surgiu primeiro como um estilo e só depois como um modo de vida. Quando comecei a perceber que não gostava de toda a roupa do meu armário e que o meu estilo era apenas um reflexo da moda do momento achei que estava na altura de mudar. Comecei a ser mais selectiva e a reflectir mais sobre quem eu sou e sobre a imagem que quero transmitir através daquilo que visto. Depois de  perceber que o estilo minimalista correspondia a quem eu realmente era comecei a explorar mais este mundo e, pouco a pouco, o minimalismo foi entrando em outras partes da minha vida.

No meu caso estes dois conceitos complementam-se mas nem sempre é assim. O importante é perceber quem somos e sermos fiéis àquilo que defendemos, seja no modo de vestir ou no modo de viver.


MINIMAL STYLE WITHOUT MINIMALISM

The ambiguity of a concept is deeply linked with its context
If I ask five people to tell me the first thing they think about when I say the word minimalism, I will possibly get five different answers. Some would mention minimalism in art or architecture, others a minimalistic lifestyle, and some, who knows, might mention minimalism in fashion or linguistics.
As if the concept isn't confusing enough already, it's also linked to a great number of contradictions, and, for better or worse, this blog is an excellent example of that.
Those who follow me on Instagram and Pinterest know that I like to use clothes with a minimalistic style. They have straight cuts, are almost always patternless, and have neutral colors. This style, whose baby steps were given when Coco Chanel got tired of the exaggeratedly ornamented style of the women of the time, is now being endorsed by several fashion brands, such as Cos, and by certain blogs, such as Joyce's My Dubio.
Even still, having a minimal style doesn't imply being a minimalist
For example, those who decide to live their lives according to the values of minimalism despise quantity over quality, and replace materialism by simplicity, as to move out of the way of the crazed consumerism of capitalist societies. People with these mindsets are not worried about buying the latest collection of Zara's "basics". In fact, the more radical of minimalists, like Leo Babauta, prefer to buy their clothes secondhand, and only when absolutely necessary.
The reason for my constant mentioning of minimal fashion and lifestyle is because, even though there might be some level of contradiction between concepts, there is also a good amount of complementarity.
If we buy mostly basic clothing that won't let us down as soon as the fad dies out, we're investing in stuff that we will want to wear for quite a while. If, on the other hand, we buy a clothing item just because it's popular at the moment, we run the risk of losing our love for it, and after a while, we might need to go shopping again. Having a minimalistic style may make us less likely to buy things, but only because basic pieces of clothing have greater longevity than this season's hottest dress. Even so, having this style doesn't mean living a simpler life. They are complementary concepts, but independent.
For me, minimalism began as a style and only later did it become a way of life. When I began to realize that I didn't like everything in my closet, and that my style was just a reflection of the then-current fashion fad, I decided it was time to change. I started being more selective and more reflective about who I am and the image I want to get across through what I wear. After I understood that a minimalistic style was in tune with who I really was, I went on to explore this world further, and little by little, the minimalism seeped into other aspects of my life.

In my case, these two concepts help each other, but it's not always like this. The important thing is to understand who we are and to be faithful to what we defend, be it in our way of dressing or in our way of living.

4 comentários:

  1. Inês, muito bacana você mostrar esse paralelo entre o estilo minimalista de se vestir e o de se viver. Eu gosto de ambos e a cada dia quero viver com menos roupas, porem de cores neutras e de qualidades, corte reto, coisas que combinem entre si, bem como quero uma vida simples e com menos coisas.

    Abraço!

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    1. São conceitos diferentes mas ao mesmo tempo complementares:) Ainda bem que achaste interessante!

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  2. Ei, conheci seu blog a pouco tempo e ele já entrou nos meus favoritos <3 Gostaria de seguir seu insta, qual o endereço?

    XOXO

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    1. Olá Sara! Obrigada <3 O meu insta é este: instagram.com/ines.catarina.pinto/

      Beijinhps

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