Fauxsumerism - Ver em vez de comprar

Alexandra Studios (1937) Window shopping at Eaton's department store. (Toronto, Canada)

Há dias a revista Dazed and Confused publicou um artigo onde referia que a nova tendência do consumismo na moda é procurar por coisas que nunca chegamos a comprar. Esta ideia de falso consumo deu o nome à tendência que é apelidada de Fauxsumerism e já conta com um grande número de seguidores, incluindo eu.

Com a proliferação das lojas online tornou-se cada vez mais fácil cedermos a um voyerismo de roupas, acessórios e objetos. Ainda há pouco tempo ouvia alguém comentar que perdia mais tempo a procurar no Goodreads os próximos livros que gostaria de comprar do que a ler os livros que já tinha comprado. Mas, quem nos julgar quando há um mundo de lojas à distância de um clique que podemos visitar sempre que quisermos e que nos oferece amavelmente a opção de possuirmos uma lista de desejos que não tem fim?


Há quem culpe a crise por esta tendência e diga que só não compramos todos os itens da nossa wishlist porque não temos dinheiro, mas eu acredito que este Fauxsumerism pode ter um lado anti-consumista.


Eu passo a explicar. Eu tenho wishlists por toda a internet com livros, roupas, produtos de beleza, sapatos e acessórios, mas não vou comprar todos estes itens. Para mim este falso consumismo que pratico é sobretudo uma forma de analisar as coisas de que gosto e de manter as minhas prioridades organizadas. Assim, quando realmente quiser comprar algo novo não vou fazer uma compra precipitada, da qual me poderia arrepender depois. O que vou fazer é analisar bem as coisas de que gostei em várias lojas e tentar perceber o que vale mesmo a pena comprar de acordo com o meu estilo e as minhas necessidades.

No artigo sobre o Fauxsumerism a Dazed terminava por dizer que, apesar desta tendência, continuamos a ser uma cultura consumista e materialista e continuamos a querer morrer rodeados de roupas e sapatilhas, o único problema é que estamos demasiado pobres para isso. 

Eu vejo as coisas de forma um pouco diferente. Para mim, esta paixão em pesquisar produtos que não pretendemos comprar pode tornar-nos em consumidores mais conscientes e talvez nos ajude a criar melhores hábitos de consumo. Se isto não acontecer, ao menos posso adormecer descansada a pensar que a maioria dos produtos que quero comprar ainda vai estar na minha wishlist, e não no meu armário, quando me aperceber que não preciso assim tanto deles.


FAUXSUMERISM – LOOKING INSTEAD OF BUYING

A few days ago, the Dazed and Confused magazine published an article where it was stated that the new consumerism fad in fashion is to look for things we never really buy. This idea of fake consumerism has created the aptly named Fauxsumerism, and it already has a large number of followers, including me.
With the spread of online stores it became easier than ever to give in to voyeurism in clothing, accessories and objects. A while back I heard someone say that they spent more time looking for the books on Goodreads that they’d like to buy than reading the ones they’d already bought. But how do we resist this when there’s an entire world of shops just a click away which we can visit whenever we want and that lovingly offers us the option of creating a never ending wishlist?
Some blame the economic crisis for this trend and say that the only reason we don’t buy everything in our wishlists is because we have no money, but I believe that this fauxsumerism might have an anti-consumerism facet to it.
Allow me to explain. I have wishlists wit books, clothes, beauty products, shoes and accessories all over the internet, but I’ll never buy all of these things. For me, this false consumerism is practical and it’s a way of analyzing what I like and to keep my priorities in check. This way, when I really do want to buy something, I won’t make a hasty purchase which I could possibly regret afterwards. What I will do is analyze what I liked in several stores and figure out what is truly worth it according to my style and needs.
In the article on fauxsumerism, Dazed wrapped up mentioning that, even with this new tendency, we are still a consumerist and materialist culture and we still wish to die among our clothes and sneakers, we’re just not rich enough for that right now.
I see things a little differently. For me, this habit of looking up products that we don’t mean to buy may make us more conscious consumers and might help us develop better shopping habits. If this doesn’t happen, I can at least sleep with the conscience that most products that I’ll want to buy will only pile up in my wishlist, instead of my closet, where I don’t really need most of them.

2 comentários:

  1. Que incrível esse novo conceito! Eu sempre gostei muito de comprar pela internet e desde que realizei o meu projeto de 1 ano sem compras, descobri que não preciso de tudo o que eu quero. Aliás, eu aprendi a diferenciar querer de precisar. Não preciso de nada, estou com o guarda roupa abarrotado, inclusive vendendo muitas das roupas que tenho. Assim que esse ano sem compras terminar quero comprar algumas peças mais minimalistas para o meu guarda roupa a fim de ter menos coisas mas que combinem melhor entre si.

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    1. É interessante como passamos mais tempo a pensar no que queremos do que a aproveitar as coisas que já temos!
      Acho que fazes bem em apostar em peças mais minimalistas que estejam de acordo com o teu estilo, estas acabam sempre por tornar-se em óptimos investimentos, mas, até lá, boa sorte no teu projecto de 1 ano sem compras!

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