Hoje não sou minimalista

Uma das minhas definições favoritas de minimalismo é aquela que o associa a um estilo de vida em que se vive com o essencial e se procura eliminar o supérfulo. Contudo, transformar a definição do estilo de vida que admiramos no nosso quotidiano pode ser difícil, sobretudo quando temos de estabelecer as nossas próprias noções sobre o que é essencial e o que é supérfulo.
Ao longo desta jornada com rumo a um armário, e a uma vida, mais minimalista tenho tido bastantes gratificações, mas, em certos dias, estas gratificações passam a preocupações e começo a acreditar que tudo o que tenho é aborrecido, que os tecidos lisos e os cortes direitos da minha roupa não têm graça e , pouco a pouco, começo a sentir que eu, e o meu suposto armário minimalista, somos uma farsa. É aí que começo a percorrer os sites de todas as lojas de que me lembro e a pensar que talvez devesse comprar roupa mais colorida, que talvez fosse boa ideia comprar algo diferente, que talvez um vestido com flores me fizesse parecer mais engraçada. É no meio deste tornado de pensamentos que o meu cérebro me chama à razão e começo a pensar que realmente não preciso de um vestido às flores, nem de nada diferente, nem de mais cores. Sobretudo quando o meu último vestido às flores ficou abandonado no armário, sobretudo quando à pouco tempo me senti embaraçada por parecer um colete reflector com uma camisola amarela que, ironicamente, decidi experimentar numa tentativa de dar mais cor ao meu armário. 
Nestas alturas dou-me por feliz por não ser uma pessoa impulsiva e por não deixar as minhas recaídas afastar-me dos valores que defendo e do estilo de vida que procuro. 
Certamente vão haver mais dias confusos mas calculo que isso seja apenas o reflexo de uma vida exposta a uma cultura consumista que nos fez acreditar que a quantidade é superior à qualidade e que tudo o que temos deve ser descartável e substituído de tempos em tempos, para o bem da nossa felicidade.




2 comentários:

  1. Somos tão bombardeados por regras de como devemos ser que muitas vezes é realmente tentador querer ir comprando tudo, a torto e a direito. A tomada de consciência de que devemos usar o que gostamos, independente disso estar ou não na moda é um grande passo. Claro que é legal ousar, querer mudar um pouco, mas devemos ser fieis à nossa essência e deixar de lado alguns devaneios de consumo. Quando queremos algo e esperamos um pouco mais de tempo pra amadurecer a ideia, geralmente fazemos compras mais acertadas!

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    1. Olá Bruna! Vai haver sempre essa tentação de insatisfação, afinal de contas estamos numa sociedade baseada no capitalismo e no consumismo em que nunca ninguém está 100% satisfeita com o que tem, mas, ainda assim o mais acertado é tirar uns minutos para pensar antes de tirar o cartão de crédito da carteira.

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